Entrando numa fria é nome de filme, mas o filme que vi hoje poderia muito bem se chamar Entrando numa cilada, que seria para fazer alusão ao gênero comédia americana, deixando bem claro que consistiria num apanhado de piadinhas sexuais toscas quase que escatológicas... Cilada.com fez mesmo jus ao nome! Aliás ao nome e aos próprios versos de Gabriel o Pensador na trilha sonora comum ao filme e ao programa - "só pode ser cilada"
Nos primeiros minutos e nas primeiras piadas da película já me lembrei das sábias palavras de Homer em Simpsons, o Filme: "Não acredito que pagamos para ver uma coisa que passa na TV de graça! Querem saber de uma coisa? Todo mundo nesse cinema é muito otário! Principalmente você!" Até visualizei o amarelo gorducho apontando o dedo pra mim!
E ele tem razão. A partir de uma série histórica de programas humorísticos de TV relativamente engraçadinhos que foram convertidos em ffilme podemos concluir que a probabilidade de tal conversão resultar em algo igualmente divertido é estatísticamente nula! O filme de Casseta e Planeta foi uma desgraça, o da Grande Família uma chatice, Os Normais até que acertou no primeiro, mas descambou no segundo...
Enfim, talvez seja mais fácil fazer pequenos quadros de assuntos engraçadinhos, pois não dá tempo de querer se aprofundar muito no tema e exagerar nas piadas... Realmente deve ser complicado conseguir fazer mais de 100 minutos consecutivos de piadas boas sobre um mesmo assunto.
Mas o que se viu ali, a meu ver, foi mais do que isso; foi quase uma descaracterização do programa. Não que eu seja telespectadora assídua do senhor Bruno Mazzeo, mas de vez em quando vejo alguns episódios no Multishow e o filme não me pareceu seguir a linha de nenhum dos que vi. Além de no filme não haver nem a participação das personagens do motoboy e do psicanalista comentando as situações e nem o recurso de simular vários finais para um mesmo "dilema", as piadas também foram menos inteligentes e mais obscenas. E obscenas de um jeito mais pra vulgar que para engraçado.
para merecer com honraria o rótulo de "comédia estilinho American Pie e afins" só faltou mesmo fazer piada com excrementos humanos! E acho que foi por pouco, pois lá pelas tantas do filme teve uma cena que muito me lembrou uma outra bem nojenta (que alguns consideram engraçada) do fraquinho Quem vai ficar com Mary... A cena do "gelzinho especial" no cabelo, para ser mais específica e ficar enjoada... argh!
E a analogia com Quem Vai Ficar Com Mary vai além da ejaculação, afinal ambos os filmes - a rigor e em essência - falam de amor! É, pois é, amor! Era para ser comédia e acho que era para ser romântica, já que o grande conflito do filme se encerra com um desfecho bem piegas com demonstrações públicas exageradas de amor, bem do jeitinho que acontece nas comédias românticas... Especialmente nas americanas, aliás.
Enfim, para quem gosta de filme com piadas quase "de caminhoneiro" sobre sexo e com conflito tão profundo de questões amorosas que se resolve com as palavras mágicas "eu te amo" pode ser um bom filme, rs.