quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Da Impossibilidade dos Votos de Ano Novo - A gente Quer Inteiro e Não Pela Metade

"A gente não quer só dinheiro; a gente quer dinheiro e felicidade; a gente não quer só dinheiro; a gente quer inteiro e não pela metade".
É, a gente quer inteiro e quer tudo: paz, amor, felicidade, saúde e - é claro, não pode faltar (nos votos de ano novo) - dinheiro!!! E a gente não quer pela metade... Não quer só metade, não quer dividir.
Vocês já refletiram sobre o quão inocentemente egoístas e infantis e até materialistas são os votos de ano novo? Todo mundo quer tudo de bom num mesmo ano! Paz, amor e saúde podem até ser votos um pouco mais espiritualizados, digamos assim, mas o dinheiro está sempre ali, seja no começo ou no fim das frases. E, se não está nas frases, fica implícito muitas vezes no conceito que fazemos de felicidade... E acaba estando presente sim nos desejos de Ano Novo de todos,  nem que seja apenas naquela canção que todo mundo canta na hora da virada... Não, não a da Globo; a do "Adeus ano velho..."
O que as pessoas esquecem é que é impossível haver um ano - ou uma vida - só de coisas boas. Porque sem as coisas ruins não só não existe aprendizado, como também não existem as coisas boas.  Se você não conheceu a tristeza, não reconhecerá a felicidade. Ambas só podem existir graças á dualidade.
Então talvez fosse mais realista - e até mais honesto com as pessoas - desejar que no seu ano novo haja proporcionalmente mais alegrias que tristezas, mais amor do que desamor, mais paz do que conflitos.
Mas haver mais uma coisa ou mais outra na vida de alguém depende um pouco da sorte e muito do modo como a pessoa se coloca frente às situações e como interpreta e responde a elas. Então, na verdade, o ideal seria desejar às pessoas que no novo ano tenham mais sabedoria para tornar os momentos mais alegres do que tristes e para aprender com aqueles tristes que forem inevitáveis.
E quanto ao dinheiro? Seria estranho uma economista negar que o dinheiro possibilita sim que tenhamos mais momentos alegres do que tristes, pois ele compra passeios, viagens, e, em certa medida, conforto, segurança e tranquilidade. 
Entretanto, creio que damos ao dinheiro, nas suas mais distintas formas de manifestação, já que falo não só do papel moeda em si, como de tudo que ele pode comprar, mais peso do que deveríamos. E, por mais que achemos que o dinheiro traz felicidade, o que vemos é que nunca há dinheiro que baste para essa felicidade enfim chegar... Sempre precisamos de mais dinheiro para ter mais roupas, mais sapatos, uma casa maior, um carro melhor,  um celular com mais recursos, um computador mais moderno, uma câmera digital com mais zoom... E assim nunca estamos de verdade saciados.
E, se não estamos satisfeitos, arrisco-me a dizer que não estamos de fato felizes.
Então, nós queremos tudo (dinheiro, saúde, paz, amor, felicidade, realização de todos os nossos sonhos), porque nós queremos inteiro, e não pela metade. Só que no caso dos bens materiais, para que alguém possa ter tudo, é preciso que outro tenha nada. E no caso dos bens imateriais, é impossível ter algum bem sem o contraponto de algum mal... E a medida de um e de outro depende de nossa capacidade e de nosso merecimento.
Por isso, desejo a todos que em 2012 os acontecimentos sejam tratados com sabedoria e que deles se possam extrair novos aprendizados... E que a humanidade possa refletir sobre o que de fato é felicidade. Porque essa felicidade egoísta e insaciável que nós queremos não é nem economicamente, nem ecologicamente  e - ouso dizer - espiritualmente viável.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SRD

SRD é jargão veterinário para vira-lata.  Sigla para abreviar a definição "Sem Raça Definida". 
Serve para definir não só as minhas cachorras, como também a mim. E não que o cão seja o espelho do dono, conforme apregoam por aí... Mas sou uma "Sem Religião Definida" e pessoas com essa falta de uma crença especifica são vistas por muitos por aí com o mesmo olhar de nariz torcido e desconfiado com que se olham para os vira-latas...
Como alguéem pode querer ter um vira-lata em vez de um lindo e peludo cãozinho de raça para levar no pet shop toda semana para ser banhado, escovado e enfeitado com laços?
Como é que alguém pode viver sem religião? É impossível viver em paz sem acreditar em Deus!
De fato. Hoje concluí que é mesmo impossível viver sem acreditar em algo. E foi a notícia da qual tive cconhecimento pela internet que me fez pensar nisso... A segunda notícia numa mesma semana da qual infelizmente tive conhecimento a respeito de crueldade com caezinhos.
Aquilo me doeu na alma quando tomei conhecimento e continua me doendo... Como alguém consegue fazer tal crueldade? Como alguém consegue sequer pensar em fazê-la? Mas este tipo e tantos outros de crueldade acontecem todos os dias e aconteceram em todos os tempos.
Errados estão os mais velhos quando dizem "que esse mundo de hoje está perdido". A crueldade vista no mundo de hoje é a mesma que se via no mundo de antes, só que antes se matava de outras maneiras... Com esquartejamentos, enforcamentos e decaptações em praça pública! 
E hoje toda a crueldade que acontece pode ser mais facilmente difundida e conhecida. Temos os noticiários diários e a internet para isso... Então achamos que ela é maior, quando na verdade só é mais divulgada.
Tenho vontade de desligar a TV para não saber de nada. Mas isso me parece covarde; me parece "fechar os olhos" perante a realidade. E então me pego questionando qual o objetivo prrático de conhecer certas realidades se não há como sozinha transformá-las?
É preciso saber para ter consciência. Mas ter consciência para quê? Ter consciência de que existe maldade no mundo e de que nada posso contra ela? Consciência da minha impotência frente a isso tudo? Para quê, se minha impotência só me traz angústia e raiva? Consciência de que as instituições humanas são falhas e que para tais atos raramente há justiça?
Para viver consciente disso tudo e sem enlouquecer de desgosto e incconformação só mesmo acreditando que para tanto horror há de existir um propósito e uma justiça, já que não aqui, além.
Agora entendo o que as pessoas querem dizer com a impossibilidade de se viver sem religião...
O meu problema é que minha fé é relativa, não absoluta. Sempre fui cética e por isso me designava atéia... Com o tempo descobri que tenho cá minhas superstições - não de fato convicções - que me impedem de me auto denominar atéia. Agnóstica soa melhor para mim.
Alguns diriam que sou espírita. E até bem pouco tempo atrás eu também assim me diria... Mas a idéia do "umbral" é uma alegoria que para mim não faz muito sentido... Lembra-me muito a noção cristiana de inferno. E não vejo como pode ser de alguma maneira salutar para o desenvolvimento de uma alma vil ser colocada junto com outras almas igualmente vis num lugar inóspito onde se lhe é imputado todo tipo de flagelo físico e mental.
Para mim a alma vil volta para cá, para conviver com tantas outras almas, umas mais e outras menos vis do que ela, para que possa ter a chance de enxergar todas essas nuances. de aprender a compeender e a se pôr no lugar do outro (o que só é possível com contato e interação) e de fazer novas escolhas. Para mim, portanto, o umbral é aqui. E assim sendo conservo eu cá, já que aqui estou, também o meu quinhão de vileza... rs.
Apesar de achar que se ainda estou aqui é porque ou nada sei ou ao menos não sei o bastante, essas minhas visões de mundo trazem certo conforto e acalantam minha alma... Entretanto esse conforto e esse acalanto são relativos, porque assim o é a minha fé.
Não consigo acreditar incontextavelmente, nem defender implacavelmente, pois no fundo acredito que tudo sempre é questionável.
É questionável porque de fato deixa muitas questões em aberto, muitas perguntas sem respostas...
Mas, se eu tivesse essas respostas, talvez fosse porque já não precisasse mais estar aqui... Talvez eu esteja aqui justamente para fazer as perguntas...
Uma coisa é certa: é mesmo angustiante viver com a incerteza. 
Talvez só haja duas alternativas: ser ignorante ou ser crente.
Pena que não cconsiga nem não saber de nada e nem crer em tudo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Jane Eyre: mulher de verdade e amor de verdade, enfim!

"Jamais me canso da companhia de Edward. E ele tampouco da minha, da mesma forma que não cansamos das batidas de nossos próprios corações. Por issso, estamos sempre juntos. Estar juntos para nós significa, ao mesmo tempo, ter toda a liberdade da solidão e toda a alegria da companhia. Conversamos, creio, o dia inteiro. Conversar um com outro é para nós como pensar, só que em voz alta e de forma mais animada. Confio inteiramente nele e ele em mim. Nós nos encaixamos de maneira absoluta, e o resultado é uma harmonia perfeita".
Esse é um parágrafo do último capítulo de "Jane Eyre", romance de Charlotte Bronte, irmã de Emily Bronte (a autora de Morro dos Ventos Uivantes), que eu acho que descreve bem o que é de fato amor, e não aquele sentimento conturbado de Catherine e Heathcliff. Convenhamos que é uma descrição mais reconfortante e bonita, já que traz nas entrelinhas a noção de cumplicidade e companheirismo, do que "Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue".
Sim, pessoas, é uma história de amor, mas de um amor virtuoso, bem diferente daquele amor conturbado do Morro dos Ventos Uivantes. Nem destrutivo, nem vingativo. As personagens principais sofrem, é claro, por um bom tempo a dor da não consumação de seu amor e da separação, afinal "todo amor só é bem grande se for triste", dizem os poetas. Mas não estendem, ou melhor, não imputam aos outros a dor que sentem. A forma com que lidam com o sofriemnto é diferente daquela da dupla doentio-romântica de Emily Bronte.
E olha que Jane e o Sr. Rochester, os heróis deste romance, também sofrem bastante. Mas lidam com esse sofriemnto - e com os demais sentimentos - de forma madura. E há entre eles um amor maduro também. Comparando com a postura das personagens da outra história, isso me fez pensar que há sim uma influência da criação e das vivências sobre as pessoas, porém há também a forma como cada um absorve essas experiências e como se posiciona frente a elas. É sim uma questão de escolha e essa escolha determina sim o que se colherá no futuro: dor ou amor.
Foi essa uma das principais mensagens que encontrei no livro. É claro que cada um encontra no fim aquilo que busca e que, portanto, minhas interpretações têm muita relação com minhas convicções, no entanto tive por diversas vezes a sensação de estar lendo mensagens muito semelhantes à doutrina espírita, quanto a posicionamento frente a injustiças e infortúnios e as consequências desse posicionamento.
Vi, digo, li issso especialmente nos conselhos de Helen Burns para sua amiga Jane: "Somos, e devemos ser, todos nesse mundo, pessoas cheias de defeitos. Mas um dia virá, espero, em que nos livraremos deles...  Meu credo é outro, o qual nunca me foi ensinado e que raramente menciono, mas ao qual me apego e que me dá muito prazer, porque através dele é possível estender a esperança a todos nós. Ele faz da eternidade um descanso, um lar acolhedor, não um terror e um abismo. Com esse credo, posso distinguir a criminoso de seu crime, e perdoar com toda sinceridade o primeiro ao mesmo tempo em que abomino o segundo".
Não sei se pode-se chegar a fazer uma analogia entre essa forma de posicionamento frente às injustiças e maldades sofridas com a doutrina espírita. Entretanto, cristão é que não me parece. E me pareceu menos ainda na visão da morte que se aprresentou ao longo  do livro... A morte de Helen Burrns no início da narrativa, bem como no final do livro o eminente falecimento de St. John, pastor missionário, não são tratados como eventos tristes e conturbadores, e sim como naturais, em que seus protagonistas vão em paz, já que suas crenças religiosas lhes conferem essa sensação. E se eles estão indo em paz, porr que "nós" deveríamos não estar?
Foi por essa visãotão lúcida e lógica, e por tantas outras ao longo do romance, que gostei bastante do livro. Hoje tudo que ali está escrito e defendido já não tem muito de inovador. Hoje talvez seja apenas uma história de amor... Entretanto, para compreender o mérito da obra é preciso atentar para sua época, não para a nossa. 
O romance foi escrito em 1847. E, assim como o posterior "Morro dos Ventos Uivantes", parece trazer certa crítica ao casamento por conveniência e sem sentimento. Porém entendo que seja menos isso e mais uma crítica ao próprio papel da mulher no casamento. Aliás, mais que no casamento; no mundo.
Jane Eyre, ao contrário de Catherine, não quer se casar para ter segurança, seja ela emocional ou material. Quer se casar por amor, e, em se casando com seu amado, não quer dele além do sentimento, não quer jóias, não quer vestidos, não quer ter o que não possa por si só comprar, não quer sequer deixar de trabalhar, enfim, não quer ser sustentada!
"E inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazeer-se com uma vida tranquila. Eles precisam de ação. E se não a encontrarem, irão fazê-la acontecer. Milhões estão condenados a um destino ainda mais inerte do que era o meu, e milhões sentem uma revolta silencciosa contra esse destino. Ninguém sabe quantas rebeliões, além das de caráter político, fermentam no peito das pessoas. Espera-se das mulheres que sejam calmas. Mas elas são como os homens. Precisam exercitar suas faculdades, necessitam de um campo para expandir seus esforços, assim como seus irmãos. Sofrem com a restrição absoluta, tanto quanto os homens sofreriam. E é tacanho por parte desses seres privilegiados dizer que elas devem se limitar a fazer pudins e tecer meias, a tocar piano e a bordar bolsas".
Por trechos como esse, que atualmente já não são chocantes, que Jane Eyre é, a meu ver, mais que uma simples história de amor. É a história de uma mulher que busca liberdade e independência, numa época em que não era isso que se dizia que as mulheres deveriam buscar.
Deveríamos, por isso, dizer que Charlotte Bronte era uma mulher "a frente de seu tempo", mas eu não sei não... A julgar pelo sucesso que o livro fez já naquela época em que foi escrito, talvez a autora estivesse mesmo certa ao dizer que milhões sentiam aquela revolta silenciosa fermentando em seus peitos.










quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Breviário - A Gota D'água



Passei quase minha infância toda ouvindo Roberto Carlos e Chico Buarque - além, é claro, de Xuxa, rs. Um era o ídolo da minha mãe e o outro o do meu pai. E foi assim que peguei trauma pelo Roberto e fascínio pelo Chico.
Toda vez em que acho que já conheço o bastante sobre a obra dele, acabo descobrindo outra nova. Nova para mim,  porque a que descobri ontem é já antiga. Pensava que "Gota D'água fosse "apenas" mais uma daquelas canções compostas por Chico na época da ditadura que podiam estar falando tanto de amor quanto de política. Mas não; é uma peça. Inspirado num roteiro feito por um tal de Oduvaldo Viana Filho para a televisão em 1975, Chico Buarque, junto com um outro tal de Paulo Pontes, escreveram uma versão brasileira para a tragédia Medéia, de Eurípedes, e assim nasceu a peça teatral Gota D'água, a qual assisti ontem e que me impressionou muito.
Assim como na música, também na peça fiquei sem saber se falava-se de amor ou de política... Sem dúvida falava-se sobretudo de amor, mas um amor distorcido, enloquecido, enraivecido pela rejeição, vingativo e egoísta. Mais um desses ditos grandes amores que, ao meu ver, é outra coisa, que não amor.
Creonte é na peça Creonte mesm, mas, em vez de Rei, é empresário do ramo imobiliário. Jasão, o "herói" é também Jasão, só que o argonauta da tragéedia grega dá lugar ao malandro sambista carioca. Só mudam na peça os nomes das personagens femininas da tragédia. A filha de Creonte, que conquista e desposa Jassão, é Alma em vez de Glauce. E a vítima da decepção sentimental e da mágo intratável é agora Joana e não mais Medéia.
Tenho cá para mim que mudar os nomes das personagens femininas foi uma forma de aproximar a história da realidade nacional, ao mesmo tempo que preservar os nomes das personganes masculinas tinha como fim apontar para a inspiração original.
Alguns detalhes na história original da tragédia foram mudados, creio que para deixar a história mais verossímel, já que não nos conformamos mais com o fantástico. Mas a essência da tragédia é a mesma, porque esta sim pode ser grega, brasileira ou ter qualquer outra nacionalidade. Existem muitas Medéias - e eu diria também "Medéios" por aí.
Cansamos de ver estampado nos jornais e alardeado nos programas de TV fins trágicos para vinganças de pessoas inconformadas com o término de seus relacionamentos, movidas pelo rancor que é o avesso do amor que foi ferido. Ou, o que eu de fato penso, do amor próprio que foi ferido...
A versão carioca de Medéia se passa numa comunidade pobre do Rio de Janeiro e os diálogos das personagens combinam modos de dizer vulgares, para demarcar bem a que classe a criatura pertence, com belos versos que transbordam a sabedoria de vida daquele povo e permitem um contato com o íntimo da sua alma. 
A peça me arrepiou por diversas vezes e me fez pensar em um monte de coisas, a ver com amor, com política, com sociedade e classe social, com carater, e tantas outras. Mas não posso falar mais ou acabo contando tudo - mesmo que seja o "tudo"na minha visão. 
A montagem a que assisti ontem está em cartaz até o dia 29/11 no Teatro Coletivo, na Consolação. Como já disse no Facebook, eu mega recomendo!

sábado, 5 de novembro de 2011

Wuthering Heights - O Morro dos Ventos Uivantes

Minha mãe compra livros pela Revistinha da Avon. 
"O Morro dos Ventos Uivantes" veio a tona na mídia por ser "o livro favorito de Bella e Edward", as personagens principais e românticas da vampiresca e juvenil saga Twilight, ganhando assim mais uma reedição.
Esta reedição virou oferta do catálogo da Avon.
E foi essa conjunção do universo que fez com que o famigerado romance viesse parar em minhas mãos. Quando me deparei com a obra, o que me estimulou a ler foi pensar que um clássico sempre precisa (e espera-se que também mereça) ser lido. Somente uns segundos depois,  ao ler na capa, em destaque num escandaloso balão vermelho, a informação de que aquele era o livro favorito do casal adolescente fictício do momento, é que entendi a sequência de fatos que tinham feito com que aquele livro chegasse até mim.
Ao longo do livro entendi porquê tal rromance é o predileto dos pombinhos tétrricos: a trama tem como base um intenso e passional amor entre as personagens Catherine e Heathcliff , repleto de rompantes sentimentais e de frases de exarcebação daquele sentimento e daquela profunda e eterna ligação, tais como "Oh, meu Deus, é impossível! Eu não posso viver sem a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma!".
Claro que interpretação cada uma faz a sua e que nunca saberemos o alcance da mensagem que a britânica Emily Bronte quis passar em 1848. 
Claro também que há uma série de interpretações difrentes passeando pela internet. Há inteerprretações sociológicas, indicando a sugestão de um possível incesto na história, já que talvez Cathy e Heathcliff possam ser meio irmãos, o que era chocante para a sociedade da época (e creio que para a atual também não seja uma idéia confortável), sem falar na crítica ao casamento por conveniência.
Há também a interpretação psicológica, segundo a qual Heathcliff representaria o id, Cathy o ego e Edgar, o coitado do bom moço de boa família com o qual ela se casou, o superego. Por esta análise, o livro mostraria que o ego  não pode viver se não conseguir harmonizar o id e o superego.
Quando li o livro, pensei em várias coisas, mas confesso que em nenhuma dessas. Por nenhum instante sernas entrelinhas que Heathcliff, o órfão adotado pelo pai de Cathy, pudesse  ser filho ilegítimo daquele. Tal desconfiança nem passou por minha cabeça. Assim como nem pensei em "alegorias para consciente e inconsciente".
A primeira coisa que pensei foi que aquele romance nada tinha de romântico, considerando a conotação que damos a esta palavra. Aquele amor todo visceral que une as personagens principais e que a Bella e seu namorado sanguesuga consideram tão belo me pareceu mais paixão do que amor, porque é passional, destrutivo  e vingativo, fonte de desunião, completamente doentio e quase loucura. Um "amor" que, em não sendo vivido, só alimentou ódios. Alimentou o ódio de Heathcliff, que lhe deu desejo de vingança. E a sua vingança alimentou muitos outros ódios. 
Entretanto, todo esse ódio - e aí vem o que particularrmentee sobressaiu da minha leitura - nasceu bem antes da decepção amorosa; o ódio nasce na forma como o pai de Catherine educa seus filhos legítimos (ela e o irmão Hindley) e  o adotivo Heathcliff. Essa forma de criação cria inimizades e rancores esses que posteriormente influenciam a impossibilidade da realização do amor dos "irmãos de criação" (ou meio irmãos?). E dali surgem pessoas amarguradas, que passam sua amargura para as geraçõe seguintess, por meio da criação truculenta, alimentando e fomentando ressentimentos.
Isso me fez pensar bastante em como o modo pelo qual criamos nossos filhos influeencia suas personalidadees e determina a forma como eles reagem frente ao mundo. Ali foi um erro quee desencadeou uma série de outros erros sucessivamente...
Nesse sentido, o final do livro traz um acalanto para a alma: traz a esperança de que a nova geração pode mudar o trriste curso determinado pela anterior, desde que consigam extrapolar o limite dos ressentimentos vividos e absorvidos que traz frieza e rudeza à alma.
Há também aquele ensinamento de que a fome de vingança, mesmo depois de ser alimentada, não traz satisfação. Heathcliff buscou por toda sua vida a vingança a todas as gerações das famílias de Catrherine e de seu marido Edgard, mas a sua realização não lhe trouxe satisfação à alma, e sim apenas consumação, até a morte.
E na morte ele reencontrou Catherine... Romântica idéia de amor eterno? Não sei não, já que o livro termina com a insinuação de que eles se tornaram duas almas vagando juntas pelo Morro dos Ventos Uivantes. Não me pareceu que tenham se encontrado e vivido seu amor em paz na eternidade, e sim que, mesmo juntos, continuavam atormentados (e atormentando outras vidas, rs).
Por isso que para mim, que me desculpem Bella e Edward, aquilo não era amor e tão intenso que para além da vida. Era diferente, uma coisa desmedida, que impediu que eles vivessem e que maculou muitas outras vidas.
Como um sentimento que só gera maus sentimentos pode ser em essência virtuoso?
Mas esta, é claro, é só a minha interpretação.




terça-feira, 6 de setembro de 2011

Madura Idade


Diz-se maduro, segundo o diconário, dos frutos em estado de serem colhidos, do vinho que não é verde, do indivíduo em idade na qual já não se está sujeito a imprudências ou a veleidades, refletindo suas atitudes, socialização e estabilidade afetiva um estado de adaptação ou ajustamento ao meio em que vive. Chama-se de maturidade a circunstância em que as coisas chegaram ao seu completo desenvolvimento.
Ainda conforme o dicionário, um indivíduo chega a seu completo desenvolvimento quando age com moderação, prudência, reserva, cautela, seriedade e circunspecção, que consiste no exame de um objeto ou de uma situação por todos os lados.
As definições do dicionário, no entanto, não aplacaram aquela que sempre foi minha dúvida: em que momento essa tal circunspeção precisa aparecer para evidenciar maturidade?
Sempre fui do tipo que agia movida pela passionalidade. Muitas vezes sentimentos grandiosos me levaram a ter atitudes que considerava pequenas. Não tive capacidade de controlá-las, apenas de ter consciência delas. Primeiro errava, para depois avaliar e admitir o erro. Via essa reflexão e esse reconhecimento (muitas vezes não só para mim mesma, como para outras pessoas) como uma forma não de redenção, mas ao menos de minimização do erro. Mas nunca me achei madura por isso, pois circunspecção à posteriori para mim nunca foi maturidade.
Pelo que entendi das definições do dicionário, na maturidade essa circunspecção vem a priori. O indivíduo maduro pondera as situações e então modera suas ações ou reações. Nesse caso, impulsividade seria então quase o mesmo que imaturidade....
Por tal entendimento, pessoas como eu, movidas por impulsividade, paixão e radicalismo em avaliação dos fatos e dos outros, seriam então imaturas. Pelo meu entendimento também, só que por outro argumento...
Eu costumava achar que a maturidade consistia em simplesmente não sentir sentimentos egoístas, irados, conturbados ou tacanhos que levam a tomar atitudes pequenas ou, nos que ao menos têm ponderação antes de agir, pensamentos pequenos. Uma pessoa madura enfrentaria com serenidade, sem se abalar, certas circunstâncias da vida, tendo sabedoria para entender que é a vida e o tempo que vão mudando as situações.
Agora, porém, admito mais um erro meu, rs: posso ter confundido maturidade com – já que flerto com o espiritismo – evolução espiritual. Olhar para as circunstâncias que não lhe agradam com serenidade e compaixão, tendo certeza de que basta deixar que o tempo cuide de mudar o que tiver de ser mudado, consciente de que cada qual e cada coisa tem seu tempo de ser ou de deixar de ser, talvez seja algo que vai para além da maturidade... Ou da maturidade possível aqui, nesse estágio de evolução em que nos encontramos.
Disse o dicionário que maduro é o ser que alcançou o seu grau de completo desenvolvimento. É bem certo que não existe evolução espiritual sem amadurecimento... Nesse caso, haveria um ponto fixo, aliás, um ponto final e elevado que seria a maturidade e tudo o que vem antes dele consistiria no processo de amadurecimento.
Se assim é, nunca seremos maduros de fato aqui, pois, se o fôssemos, estaríamos em outra realidade. Não somos então outra coisa senão pessoas em processo de amadurecimento. E, a meu ver, na linha de evolução desse processo, a circunspecção a priori está um passo a frente da a posteriori.
De qualquer forma, alivio-me ao pensar que a circunspeção a posteriori já é um passo no caminho do amadurecimento, pois há já aí a manifestação de algum grau de consciência das coisas. Hoje consigo refletir sobre minha s atitudes. Amanhã conseguirei refletir antes de agir. E um dia, quiçá, terei a compreensão de que as vezes é afetado agir e perda de tempo sequer sentir.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vexame e penitência

Estava eu reorganizando meus emails da época do trabalho na CVM e me deparei com uma relíquia literária: um relatório de viagem de trabalho, de 18/03/2010, que fiz para o Rio e que foi extremamente marcante!
Achei interessante postá-lo aqui, em edição revista e ampliada:

Ontem, quando cheguei em Congonhas já deu pra perceber que seria um dia de meeerrrrrrrda (com sotaque), pois nenhum avião estava decolando para o Rio, já que lá chovia muito.
Fiquei quase 2 horas esperando pelo meu avião, mas não pensem que foi uma espera de deixar a bunda quadrada. Nããão. Agora a Gol tem um programa de entretenimento para seus clientes! Enquanto eu esperava, participei de uma gincana chamada “caça ao avião perdido”! Era assim: a moça anunciava no auto falante “Vôo 1503, embarque no portão 8” , então todo mundo corria pro portão 8.  Quando ainda estávamos recuperando o fôlego, a moça anunciava de novo “Vôo 1503, seu embarque mudou e será realizado no portão 5” , e assim era dada novamente a largada na modalidade corrida com malas. A brincadeira foi tão a fundo que no fim das contas fomos embarcar no subsolo.
Cheguei na CVM mega atrasada e corri (de novo!esse verbo que odeio conjugar) para o andar aonde fica o auditório. Era óbvio que o treinamento seria lá, afinal todos os dos quais já participei sempre foram ali! A moça da recepção foi super simpática e compreensiva com meu atraso e me deixou entrar na sala sem ter que passar pelos trâmites usuais de conferir nome e pedir para assinar a lista de presença.
Entrei, sentei. Meu superintendente estava lá, me deu um sorriso largo, cariocamente sacana e fez um aceno de mão. Eu me senti felizarda por ter um chefão-mor tão simpático e também tão humilde e engajado.. Imagine só o superintendente de toda a área administrativa, homem de cargo tão elevado, estar ali participando de uma rélis palestra sobre gestão por competências da área de Recursos Humanos! 
Depois eu comecei a me perguntar qual seria a relação entre auditoria do mercado de capitais, que era sobre o que o palestrante ministrava, e gestão por competências...  Que encadeamento lógico de ideias tão fantástico poderia ter conduzido de um assunto a outro?
A coisa toda ficou ainda mais “questionável” quando me dei conta de que não era só o meu superintendente que estava ali... Na verdade, só havia superintendentes, de todas as áreas da CVM!!! E a presidente também!
E quem mais estava, quem? Eu, a agente executiva, a cargo de nível médio! E não bastando isso, ainda era a acargo de nível médio da área meio!!! A base, aliás, o chão da pirâmide se infiltrando na reunião do topo... Isso sim é que é querer subir na vida rápido!
Enfiei minha caneta e meu bloquinho de anotações de volta na bolsa, meu rabinho entre as pernas, meu queixo quase no peito e saí olhando para o carpete do auditório. 
Depois de algum tempo encontrei o andar e a palestra certos. E na sequência meu superintendente me reencontrou lá! Riu bastante de mim e, como é um homem generoso, compartilhou oa razão de toda aquela sua alegria com os demais colegas, para que todos pudessem rir também! 
Como desgraça pouca é bobagem, claro que não seria tão simples ir embora logo para casa e poder afundar minha cara envergonhada no travesseiro. Aliás, vexame pouco também é bobagem... Ainda dava para piorar.
Além de (e apesar de) estar chovendo pra chuchu lá no Rio, estava rolando uma passeata lá no centro.  (Por passeata no Rio entenda-se pessoas com vestes e canções carnavalescas!!!) Conclusão: todas as ruas do centro estavam fechadas! Eu andei aquele centro todo, de salto, na chuva, no meio da muvuca, ouvindo funk, atrás de um taxi.para o aeroporto. E nada.
Voltei para a CVM encharcada e desesperada porque  perderia o voo. Uma das meninas do RH me olhou  com um olhar que ficava entre a dó e a preocupação e me perguntou por quê eu voltara. Eu me desmilingui toda...Comecei a chorar e a choramingar que não tinha como chegar ao aeroporto, ia perder a passagem da CVM, não tinha dinheiro para arranjar outra e nem para a hospedagem.
Sim, já não bastasse ter sido motivo de gargalhadas no RH,de tarde, de noite eu fiquei lá aos prantos feito um bebê! 
Mas expeeerrrrrtox são mesmo os bebês: quem não chora, não mama!  Uma das recepcionistas se sensibilizou com meu pranto e se dispôs a me levar a pé até o aeroporto. 
O aeroporto não é assim tão longe da CVM, mas meia hora de caminhada de salto, na chuva, afundando o pé em milhares de poças de água (e de sabe-se lá mais o que ), cortando multidões de pessoas cheias de plumas e paetês, cantando um funk dos royalties do petróleo faz meia hora parecerem meio século!
Cheguei ao aeroporto ensopada e recebi a notícia de que o Santos Dumont estava fechado por causa da chuva e os voos todos atrasados.
Contei então com a ajuda de outra alma solidária que me encaixou em um voo bem mais cedo do que o meu original. Só que bem mais cedo naquele caso era dali a umas três horas, pois tudo estava atrasado.
Passei aquelas horas perambulando pelo aeroporto, molhada, congelada e esfomeada. Gastei todo dinheiro que tinha em coisas não suficientemente quentinhas, não satisfatoriamente gostosas e exageradamente caras, até que enfim tive a felicidade de entrar em um avião.
Nunca pensei que ficaria um dia feliz de entrar em um... 
Depois de tudo isso só me restou contar tudo na CVM São paulo, antes que a novidade chegasse por malote... Afinal é melhor participar ativamente do que passivamente da piada!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Melancolia é Deprimente

Este blog nunca teve a pretensão de versar sobre crítica cinematográfica, mas como,- para desespero de meus amigos, que sempre querem ver algo que eu já vi - o que mais tenho feito ultimamente é ir ao cinema, é sobre filmes que acabo escrevendo. E em geral escrevo desgostando dos filmes, o que me faz parecere uma pessoa amarga.
Hoje, mais uma vez, vim aqui para escrever "falando mal" sobre um filme que assisti, mas enquanto refletia sobre o que ressaltar no filme e o revia em minha mente, fui diminuindo minha antipatia inicial por ele. Trata-se de "Melancolia", de  Lars Von Trier, o diretor dinamarquês que chocou no Festival de Cannes dando declarações esdrúxulas sobre sua (irônica ou não) simpatia por Hitler. Seja pelo título ou pelo diretor do filme já deve ir o espectador preparado para algo não muito animador.
O filme é dividido em duas partes, em duas histórias que, embora tenham as mesmas personagens centrais. A primeira parte trata da melancolia que acomete a personagem Justine (Kirsten Dunst) durante a festa de seu casamento. A segunda parte trata da aproximação do planeta Melancolia, prestes a se chocar com a Terra e causar o fim do mundo (literalmente).
Melancolia, segundo minhas pesquisas "googleanas", enquanto "estado de espírito", é caracterizada pela falta de entusiasmo e de predisposição para a realização de  atividades em geral, acomete costumeiramente pessoas em depressão e não é desencadeada por algum acontecimento específico e concreto. E foi isso o que me incomodou demais no filme. Sem razão nenhuma, num dia que deveria ser um dos mais felizes da vida da pessoa (conforme as convenções sociais), a personagem da noiva, inicialmente radiantemente feliz, vai aos poucos afundando numa apatia sem qualquer explicação.
A falta de explicação para tamanha e tão súbita infelicidade me incomodou muito, embora não por não achar plausível a ausência em si, ainda que eu considere que uma pessoa só deva ficar infeliz por motivos muito concretos e muito contundentes. O que me incomodou foi pensar que de fato existe gente assim, e não é pouca gente . Há muitas pessoas com vocação para a insatisfação repentina ou permanente. Perdem um tempão na vida, se não a vida toda, sofrendo sabe-se lá porquê.
Era esse o caso da primeira história. Num castelo em alguma bela paisagem europeia - realmente a coisa mais interessante do filme é toda sua fotografia -, a personagem afunda-se cada vez mais no desânimo.
Não é de se espantar que essa mesma personagem lide tão bem com o conflito da segunda história, ou seja, o fim do mundo. Enquanto as personagens aparentemente sãs da primeira parte do filme começam a surtar com a fatalidade da aproximação do planeta que destruirá a Terra, a noiva melancólica aceita com frieza e resignação o fim próximo, toma as rédeas da situação e toma pela mão as outras personagens. Bom, é claro que alguém que não vê muito propósito em viver, também não verá muita aflição em morrer. Nem o nascimento de um relacionamento (o casamento) anima, nem o fim de tudo apavora. Tanto faz mesmo. E deve ser bem isso a depressão...
Pensando nessas mensagens discretas na trama, até que o filme não merece ser tão achincalhado como em princípio eu pretendia. Ele ttem uma intenção interessante, embora seja conduzido de modo enfadonho. Tão enfadonho que em certo momento você começa a torcer para que o planeta Melancolia colida logo com a Terra, elimine aquelas pessoas chatamente deprimidas e acabe com o mundo logo (o que no caso equivaleria a acabar o filme), findando a tortura de ter de ficar vendo aquela trama se arrastaaaaando sem que nada de fato acontecesse...  E você torce mesmo para que o mundo acabe! Você não quer que aquelas pessoas se salvem!
Aliás, começo a entender a simpatia do diretor por Hitler... Ele também é adepto á tortura... Psicológica nesse caso! Passei "bons" momentos no cinema me torturando e me angustiando com a dúvida se deveria desistir e abandonar a sala ou insistir e esperar até o final (do mundo e do filme).
Acabei ficando até o fim e vendo o planeta Melacolia destruir a Terra... E agora, ao ir escrevendo esse post e relendo o que escrevi, me veio a pergunta: será que um dia a nossa melancolia destruirá a Terra?
Será que foi isso que Lars Von Trier quis dizer?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Homer Simpson tem razão!

Entrando numa fria é nome de filme, mas o filme que vi hoje poderia muito bem se chamar Entrando numa cilada, que seria para fazer alusão ao gênero comédia americana, deixando bem claro que consistiria num apanhado de piadinhas sexuais toscas quase que escatológicas... Cilada.com fez mesmo jus ao nome! Aliás ao nome e aos próprios versos de Gabriel o Pensador na trilha sonora comum ao filme e ao programa - "só pode ser cilada"
Nos primeiros minutos e nas primeiras piadas da película já me lembrei das sábias palavras de Homer em Simpsons, o Filme: "Não acredito que pagamos para ver uma coisa que passa na TV de graça! Querem saber de uma coisa? Todo mundo nesse cinema é muito otário!  Principalmente você!" Até visualizei o amarelo gorducho apontando o dedo pra mim!
E ele tem razão. A partir de uma série histórica de programas humorísticos de TV relativamente engraçadinhos que foram convertidos em ffilme podemos concluir que a probabilidade de tal conversão resultar em algo igualmente divertido é estatísticamente nula! O filme de Casseta e Planeta foi uma desgraça, o da Grande Família uma chatice, Os Normais até que acertou no primeiro, mas descambou no segundo...
Enfim, talvez seja mais fácil fazer pequenos quadros de assuntos engraçadinhos, pois não dá tempo de querer se aprofundar muito no tema e exagerar nas piadas...  Realmente deve ser complicado conseguir fazer mais de 100 minutos consecutivos de piadas boas sobre um mesmo assunto.
Mas o que se viu ali, a meu ver, foi mais do que isso; foi quase uma descaracterização do programa. Não que eu seja telespectadora assídua do senhor Bruno Mazzeo, mas de vez em quando vejo alguns episódios no Multishow e o filme não me pareceu seguir a linha de nenhum dos que vi. Além de no filme não haver nem a participação das personagens do motoboy e do psicanalista comentando as situações e nem o recurso de simular vários finais para um mesmo "dilema", as piadas também foram menos inteligentes e mais obscenas. E obscenas de um jeito mais pra vulgar que para engraçado.
para merecer com honraria o rótulo de "comédia estilinho American Pie e afins" só faltou mesmo fazer piada com excrementos humanos! E acho que foi por pouco, pois lá pelas tantas do filme teve uma cena que muito me lembrou uma outra bem nojenta (que alguns consideram engraçada) do fraquinho Quem vai ficar com Mary... A cena do "gelzinho especial" no cabelo, para ser mais específica e ficar enjoada... argh!
E a analogia com Quem Vai Ficar Com Mary vai além da ejaculação, afinal ambos os filmes - a rigor e em essência - falam de amor! É, pois é, amor! Era para ser comédia e acho que era para ser romântica, já que o grande conflito do filme se encerra com um desfecho bem piegas com demonstrações públicas exageradas de amor, bem do jeitinho que acontece nas comédias românticas... Especialmente nas americanas, aliás.
Enfim, para quem gosta de filme com piadas quase "de caminhoneiro" sobre sexo e com conflito tão profundo de questões amorosas que se resolve com as palavras mágicas "eu te amo" pode ser um bom filme, rs.



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Meia Noite em Paris

Não, não é um post retardatário sobre minha viagem. Estamos falando aqui do novo filme de Woody Alen, que se encontra em cartaz e que assisti ontem.
Sei que muita gente tem um certo preconceito com o Woody... Na verdade, pode ser um pós conceito mesmo, já que muitos dos filmes dele são carregados de diálogos e mais diálogos que parecem intermináveis... Especialmente quando o próprio Alen atua... Daí às vezes é quase que um monólogo enfadonho, rs.
Nos últimos tempos parece-me que Woody Alen tem feito filmes menos inovadores no que tange ao tema central em discussão, como me parece ser o caso de Vicky Cristina Barcelona, que para mim é um filme que trata de um tema bem batido e que por isso é indiferente assistir ou não. Mas, por outro lado, os filmes têm ficado menos cansativos em termos de diálogo também.
Não sei qual a relação entre causa e consequência entre as duas coisas, mas agora podemos assistir um filme de Woody Alen, que creeio eu ser encaixável na categoria "cult", nas salas de cinema com aroma de pipoca e chão amanteigado do Cinemark! E, convenhamos, um Woody Alen, mesmo que mediano, acrescenta mais á nossa capacidade de reflexão sobre o mundo e a vida do que um monte da sucessos de bilheteria em cartaz.
Embora eu não conheça toda sua cinegrafia, creio poder dizer com certa convicção que os filmes de Aleen não seguem um mesmo esquema sempre... Como fazer alguma analogia aentre as trashíssimas cenas de "Tudo o que você sempre uis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar" e o suspense "Match Point"? Talvez o mais seguro a dizer seja que a maioria dos filmes dele traz o humor em alguma medida.
Parece-me que ultimamente o humor vem em forma mais sutil e comedida, acompanhado de alguma reflexão sobre o relacionamento entre as pessoas, especialmente o amoroso, claro (e talvez por isso esteja em cartaz no Cinemark). "Tudo Pode Dar Certo" foi assim e não é diferente agora com "Meia Noite em Paris".
Confesso que gostei mais desse último; e não apenas porque senti algo que nunca imaginei que sentiria vendo um filme: nostalgia ao ver um lindo lugar típico de cena de cinema, por já ter ido lá e saber que de fato é assim lindo mesmo! (Suspirei de saudade boa... )
O que gostei no filme é que,o conflito amoroso - meio raso e lugar comum até, já que a noiva do cara era a personificação da futilidade, justificando a indecisão do "mocinho" à beira do altar -, pelo menos no meu entender, era só o pano de fundo para uma outra discussão. Não que essa outra discussão tenha uma pauta super surpreendente; convida a  uma reflexão sobre a nostalgia alimentada pela romantização do passado. Sabe aquele provérbio (já que eu gosto deles, rs) "A grama do vizinho sempre parece mais verde"? Nesse contexto a grama é uma época anterior à nossa.
O interessante é como a trama é conduzida, de forma leve e divertida, com um pano de fundo lindo (Paris) e uma história fantasiosa com personagens que dificilmente são conhecidos de quem não é tão "velho" e ou não tão culto, como foi o meu caso, rs.
Entretanto, embora no momento do filme não tenha entendido algumas referências - por falta de conhecimentos mesmo -, isso não prejudicou o entendimento do filme e me convidou a aprender mais. Saí com uma impressão tão boa do filme que fui impulsionada a ir na internet pesquisar todas as referências nele citadas.
E assim aprendi quem era a "Geração Perdida" da década de 20 (personagens do filme e na vida real grupo de artistas de uma época) e até descobri que uma música que eu jurava que era do Chico Buarque (Façamos - Vamos Amar) na verdade é uma versão para uma música antiga de um senhor norte-americano chamado Cole Porter (Let's Do It), pertencente à tal Lost Generation, juntamente com Dali e mais vários outros escritores, pintores, compositores e diretores.
Graças ao filme tomei conhecimento também da existência de um tal cineasta Luis Buñuel e do cinema surrealista da década de 20. Pronto, agora tenho mais uns 10 filmes na minha lista de filmes para ver antes de morrer... Espero ter vida longa!
Enfim, a minha experiênccia com o filme foi ótima e ecoou para além dos 100 minutos de duração da película, por isso resolvi compartilahr. Certamente acrescentou-me mais do que X-Men acrescentaria... Eu jamais teria descoberto oa influência do surrealismo no cinema, embora asd super produções sejam sempre carregadas de muitas cenas surreais!

domingo, 3 de julho de 2011

A Última Bolacha do Pacote

Sabadão de noite e eu aqui em casa, desocupada, então, como diz o ditado, "cabeça vazia é oficina do diabo", ponho-me a pensar em o que de interessante fazer na net... Pirmeira coisa é olhar o Facebook, afinal eu, que tanto o odiava, devido ao apego ao Orkut, acabei cedendo ao apelo da sociedade e agora estou completamente fanática! "Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura".
Mas, como é sabadão, não há quase ninguém online. E quem na net está me vem perguntar o que uma moça solteira e bonita (?) que mora em Sampa faz em casa num sábado a noite...  Pois é, o que faria eu em casa e na net? Postar no blog, claro!!!! Mas postar sobre o quê??? Não há nada o que se dizer sobre estar em casa num sábado à noite... Bom, talvez reclamar da programação da TV...
Daí fiquei pensando sobre tudo o que já escrevi por aqui e então percebi que quase sempre me valho de algum dito popular. Muitas vezes não sei nem se os utilizo em contexto apropriado... Mas garanto a voces que reflito muito e profundamente sobre o significado de cada um deles. O problema é que, quando filosófo sobre eles, é comum chegar a uma lógica de significado completamente diferente da convencionada.
Um típico exemplo disso é a expressão "se acha a última bolacha do pacote", que é usada para descrever pessoas que estão se achando irresistíveis. Por que ser a última bolacha seria assim tão bom? Para mim, isso nunca fez sentido! A última bolacha é a que sobrou!!! A que ficou por lá sabe-se por quanto tempo e que talvez até já esteja murcha... Veio um fulano esfomeado e foi detonando o pacote de bolacha até que teve sua fome saciada e parou de comer. Portanto, a última bolacha do pacote é a que foi rejeitada! A que não foi comida por ninguém, porque o fulano não estava suficientemente desesperado de fome para a comer! E, tendo a questão da fome sido resolvida, se somente a gula não foi suficiente para estimular o ser a comer a bolacha, é porque ela não era tão gostosa assim afinal!
Bom mesmo é ser a primeira bolacha do pacote, que é a primeira a ser comida, que é aquela que ainda está novinha e crocante; aquela que tem seu sabor "superlatado" pela fome do degustador e então, por razão temporal, sempre será mais gostosa que todas as seguintes!
Pode-se até dizer que o grau de gostosura da bolacha na avaliação do degustador é decrescente à medida que decresce a fome do mesmo, sendo, portanto, menos gostosa a bolacha quanto mais próxima ela está do final do pacote e maior, pois, sua probabilidade de sobrar!
Vixe, era só o que me faltava: ficar num sábado á noite construindo uma função para avaliar a variação da gostosura de uma bolacha conforme sua localização no pacote!
O problema é que, esquivando meu pensamento do lado racional de economista e seus embasamentos matemáticos, começo a ser tomada pelo lado mais sociológico e me ponho a pensar em coisas mais abstratas e transcedentais, como que talvez a vida seja o pacote e nós sejamos as bolachas. E, neste caso, estando eu num sábado a noite em casa, talvez seja eu uma das últimas bolachas do pacote... rs. E o pior, serei eu a última bolacha do pacote sob o meu ponto de vista de interpretação! E isso é muito deprimente, rs.
Ok, bem que disseram que bolacha não é algo muito saudável... Melhor eu ir assistir TV!

P.S. Antes que alguém resolva me consolar nos comentários, quero deixar bem claro que esse post não é sério! Sério! Eu não me acho a última bolacha do pacote, nem num sentido, nem noutro. Estou lá pela metadinha da embalagem... Ainda conservo certa crocância... E quiçá nenhuma gordura trans!


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Da Imposibilidade de Chorar

Eu gostaria muito de, ao menos nos Bastidores, tal qual dizem os primeiros versos da música de  meu amado Chico Buarque que leva esse nome, poder dizer "chorei, chorei, até ficar com dó de mim". . 
Eu queria chorar pelo fim de um relacionamento, porque todo fim é sempre triste, mesmo quando não é feio. Eu queria chorar pela incerteza de existir um novo começo. Eu queria chorar pelo fantasma da solidão amorosa, que deveria me assombrar. Eu queria sentir  dramáticas sensações intensamente como costumava sentir. Eu queria poder me jogar na cama, abraçar meu ursinho de pelúcia e ficar lá me lamentando por um passado injusto e um futuro sombrio e sofredor. Eu queria fazer previsões desesperadas e apocalípticas típicas de solteironas, amaldiçoando e culpando a sem vergonhice masculina por minha falta de esperança.
Eu queria estar em crise. Porque, na verdade, eu acho que eu deveria estar em crise. Existem momentos pras coisas... No Natal a gente tem que estar feliz, rs. E em momento como esse meu a gente tem que estar triste.
Mas  não consigo chorar, pois não me permito ter dó de mim. Cobraram tanto de mim ser forte e dar força que até esqueci como se faz para se colocar em posição de coitadinha. Eu não consigo mais ter dó de mim. E assim eu não me permito chorar.
Ou eu fiquei forte.
Ou eu já chorei tanto por um mesmo motivo que já se esgotaram as lágrimas destinadas a esse tópico...
Ou eu fiquei fria.
Não sei. "Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço" ... Ou melhor, às vezes eu quero chorar, mas alguém conta uma piada e eu esqueço... Ou alguma coisa engrada acontece. Ou quem conta a piada sou eu, rs. Começo um dia querendo chorar e acabo rindo. 
Às vezes me pego perguntando se é isso mesmo, se agora eu sou para sempre assim e se isso é sinal de que estou madura.
Depois me acho até meio infantil por ser tão boba alegre.
E por fim me vejo vazia porque existe um apertinho  exilado num cantinho obscuro do peito, para o qual não sai uma lágrima sequer correspondente...
É como se eu estivesse para sempre anestesiada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Burocrático Neologismo

Reza a lenda que servidores públicos não são lá muito afeitos a mudanças, por isso dizer que algo novo foi criado no seio da burocrática administração pública parece, em princípio, incongruente. Então vejamos:
Foi na administração pública que aprendi a trabalhar um novo verbo: sabonetar! Este é o verbo que todo dia, no mínimo uma vez ao dia, pelo menos algum servidor conjuga. E como tem sempre alguém conjugando, acho que fica melhor eu dizer que aprendi a não trabalhar graças a esse novo verbo... Afinal, mentiria eu se dissesse que se trata de um verbo defectivo. Existe conjugação em todas as pessoas e, repito, todas elas conjugam, inclusive a primeira do singular. Mas esta, meus amigos, em sua real defesa alega que só o conjuga em resposta á conjugação de outra pessoa.
A primeira pessoa do singular que vos fala recorrentemente recebe “coisas” com os simples dizeres “para prosseguimento”, sem que lhe seja dito o que e para onde se deve prosseguir.
Desta forma, já foi até aventada pela primeira pessoa a possibilidade de se etiquetar a lata do lixo com a palavra “prosseguimento” e resolver assim o dilema. Mas depois foi pensada uma solução que numa rápida análise parece mais elegante, embora em essência tenha o mesmo efeito que a primeira aventada, e após algumas linhas falando-se sobre tudo sem dizer-se absolutamente nada, manda-se a “coisa” de volta para o lugar de onde ela veio “à consideração superior”.
E assim, enquanto os interlocutores todos ficam sabonetando, a “coisa” fica petecando por aí !(vejam só, mais um neologismo!) até que alguém decide, já que não quer de fato decidir nada que tenha que escrever e assinar embaixo, que seria conveniente mandar a “coisa” para análise jurídica.
Mal sabe esse alguém (ou bem sabe e justamente por isso o faz) que advogados não têm espírito lúdico e acabam com a brincadeira, dando um incrível sumiço na peteca!
Daí, só te arremessam a peteca de volta uns dois anos depois, quando você nem lembrava mais que estava brincando... A peteca vem com tudo na sua cabeça e aí, com o impacto, ou você acaba se lembrando enfim dela, ou fica com amnésia de vez!
E não, a peteca quase nunca vem redondinha. Atente para o fato de que é uma peteca, não uma bola! Em geral fica concluído algo não muito conclusivo. A decisão do julgamento costuma vir acompanhada de um “salvo melhor juízo”, que é um jeito adiantado de se pedir desculpas pelo que concluiu e se colocar aberto a outras considerações.
E assim seguimos a vida: mente aberta, assuntos em aberto e nenhuma decisão fechada!
E eu estou precisando aprender a conjugar outro verbo: conformar... Modo reflexivo...

domingo, 12 de junho de 2011

Programa de Índio

De que associação lógica saiu a expressão "programa de índio" para qualificar passeios cheios de percalços - ou no mínimo sem graça - eu não sei. Talvez seja uma visão preconceituosa do "homem branco" de que ficar dançando em círculos para a chuva, o sol e sei lá mais que estrela, satélite ou asteróide seja um programa chato. Mas eu lhes garanto que chato mesmo não é ficar dançando em círculos, porque pelo menos se está movendo, e sim ficar, como todo bom "homem branco" paulistano, parado horas e horas em uma fila... Ou o que é pior: andando de fila em fila!
O primeiro "programa de índio" foi no sábado, quando me senti uma típica paulistana, ou melhor, uma típica mendiga paulistana, já que passei um tempão de pé no relento e no frio numa sinuosa fila esperando para tomar sopinha! Não, não fui a um albergue... Isso pelo menos teria a vantagem de ser gratuito! Fui com amigos ao festival de sopas do CEAGESP para comermos aquela deliciosa sopa de cebola gratinada (sim, pagamos para enfrentar fila e depois ainda ficar com bafo)!
Após 40 minutos ao relento esperando a multidão que estava dentro do evento se dignar a ir embora, contando apenas com a piedade de uma simpática mocinha que passava nos servindo vinho como cortesia - o que, aliás, não sei se era por caridade ou para amansar os humores -, enfim passamos para dentro do recinto e nos deparamos com... Outra fila, estrategicamente montada ao lado de um buffet de queijos, pães e patês!!! Desesperadamente esfomeados, atacamos impiedosamente o buffet, de pé, com os pratos na mão. E o buffet atacou impiedosamente nossos bolsos, já que era ccobrado a parte (e que parte grande!). 
Mais 40 minutos de espera por uma mesa... Meu estômago, que ao relento reivindicava de forrma plenameente audível por comida, àquelas alturas não clamava por mais nada (talvez porque já tivesse feito autofagia). Quando enfim conseguimos a tão almejada mesa, foi chegada a hora de ir para a fila que efetivamente era a da sopinha. Havia sopa enfim, porém não cumbucas. E, quando houve finalmente cumbucas (parcialmente limpas), não havia colheres. 
Era tanta, mas tanta gente, que o pessoal do evento não estava dando conta. Até que conseguíssemos que todas aquelas variáveis (mesa, cadeira, sopa, cumbuca, talheres e bebidas) pudessem ser observadas simultaneamente levou um bom tempo... Tanto tempo que eu já estava cansada demais. Comi somente duas sopas (caldo verde e cebola gratinada), porque só de pensar em ter que ficar de novo de pé numa fila eu desanimava...
Claro que não posso dizer que o programa foi ruim, pois quando se está com um monte de amigos qualquer desgraça fica engraçada, mas poderia ter sido bem melhor se tivéssemos chegado lá antes de toda a torcida do corinthian!!!
A moral dessa história, portanto, não é "não recomendo o sopão do CEAGESP", e sim "recomendo que vá cedo", entre 19 h e 20 h, pois, como a noite é uma criança, parece que todo mundo resolve aparecer por lá após as 21 horas. Segundo a moça do caixa, os dias mais tranquilos, a qualquer horário, são quarta e quinta. Quem quiser ir de sexta ou sábado, tem que praticamente ir para jantar na hora do lanche, rs.
E, já que me tornei especialista em programas de índio neste final de semana (embora ainda não tenha descoberto a "etimologia da expressão"), aproveito para dar mais uma dica aos amigos: nunca, nunca, nunca invente de levar sua mãe ao cinema no Dia dos Namorados!!! Pois sim, haverá uma fila kilomêtrica... Kilomêtrica e cheia de pessoas se agarrando!
Por fim, outra dica importante: independentemente de ser Dia dos Namorados, sendo domingo de tarde, não assista a desenhos, pois haverá crianças lá, infinidade delas, todas gritando durante a sessão, jogando pipoca pra todos os lados e "amanteigando"o chão da sala de cinema!
Aliás, se for simultaneamente Dia dos Namorados e final de semana, não vá ao cinema, muito menos para ver desenhos! Não saia de casa!!!!!!! Ou você estará cercado por crianças e por casaizinhos falando tudinho no diminutivozinho com vozinha de criancinha e se agarrandozinho o tempozinho todinho!  Rs.
Apesar de toda acidez irônica, postada aqui só para manter minha fama de má, a verdade é que adorei Kung Fu Panda 2 (mesmo com os berros das crriancinhas e os "nhec-nhec" das poltronas dos namorados)! O desenho é bastante divertido e tem uma "fotografia", rs, muito bonita.
O ensinamento do dia é, portanto: vá comer a sopa no CEAGESP bem cedo e assistir o Kung Fu Panda 2 bem tarde e assim você não terá um programa nem de índio e nem de paulistano!









terça-feira, 7 de junho de 2011

Provavelmente não equivocadas e possivelmente mais felizes - Post Chupim

Já vou logo avisando que a idéia de escrever esse post surgiu quando eu lia a postagem de outra blogueira, no "Adorável Psicose", o qual eu considero mais adorável que psicótico. Não se valham de vossos vastos conhecimentos de vernáculos para me acusarem de plágio, nem tão pouco me acusem vulgarmente de chupim. O que me ocorreu pode ser eufemisticamente chamado de inspiração, que assim fica mais educado.
O grande problema é que me identifiquei em parte com o post da psicótica... E isso de fato é um problema, pois mostra que sou eu psicótica (ao menos) em parte também. Se é que é possível alguém ser parcialmente doido... 
Seria eu então meio psicótica? Mas como alguém pode ser um pouco psicótica? Psicótica, assim como qualquer outro tipo de louca, se é ou se não é. Isto posto, seria então mais acertado dizer que sou meia psicótica? Um lado de mim é psicótico e o outro normal? Não, isso estaria mais para bipolaridade...  Pois é, agora começo a entender porque tem gente por aí que se confunde tanto e sai dizendo que está "meia cansada"...
Aliás, o post inspirador parece que foi inspirado na frustração ao se errar uma conjugação verbal; frustração essa muito bem resumida na frase com a qual me identifiquei - "nada no mundo me deixa mais frustrada e inconsolável do que não acertar"- e que mostra que a auto cobrança da psicótica vai para bem além do campo gramatical...
E foi por isso que me identifiquei. Não só porque minhas entranhas se contorcem quando eu vejo uma virgula separando um pobre sujeito do verbo que ele deseja tão ardentemente conjugar, não só porque internamente eu berro histericamente "não, não e não" toda vez que ouço algum ser proferir um "menas", mas porque sinto imensa vontade de me auto flagelar toda vez que erro, seja grande ou pequeno erro.
E me identifiquei tanto com esse post, justo hoje, porque hoje eu errei. Na verdade não agi por medo de errar e por consequência não pude acertar. Se não acertei, errei. Errei, logo fiquei frustrada e inconsolável.
Pensei que já houvesse superado esse meu recalque do medo de errar ao agir, mas eu estava errada. Fui posta de frente para uma situação e continuei agindo, digo, não agindo da mesma maneira. Por medo de não acertar, acabo errando em não agir. E essa cobrança toda vai bem para além do campo gramatical... Vai para todo o campo intelectaul e vai ainda mais além; vai até o emocional.
Não sei de onde vem essa minha neurose (que, pelo visto, talvez na verdade seja psicose), mas, como bem disse a outra blogueira, enquanto estamos caladas por medo de falar com o sujeito, o verbo ou o tempo errado, haverá outra pessoa rasgando o verbo... Talvez rasgando todas as regras verbais também... Ou não.
A psicótica terminou seu post com "enquanto eu estiver frustrada e inconsolável, elas estarão equivocadas e infinitamente mais felizes". Eu arriscaria corrigir essa frase: Elas (aquelas pessoas que não são tão auto exigentes como nós) falarão o que quiserem, como e quando quiserem, e, graças à bela ciência da estatística, estarão provavelmente várias vezes não equivocadas - e por isso possivelmente mais felizes.
E por falar em erros, não se enganem achando que enfim tive uma epifania e agora minha atitude (passiva) mudará. Saber que toda essa minha auto cobrança por perfeição que tanto me paralisa é errada só me deixa ainda mais furiosa comigo mesma, pois nada me deixa mais irritada do que errar!!! Rs
Eu só gostaria de saber como não fazer amanhã o que fiz hoje.
Ou, o que é mais apropriado, fazer "amanhâ" o que não fiz "hoje"

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Adorável Psicose: Episódio 4 - A napolitana

Adorável Psicose: Episódio 4 - A napolitana: "Parte 1 Parte 2"

Detesto arte moderna. E detesto aquela gente que fica horas parada em frente a um quadro totalmente abstrato criando um milhão e meio de teorias a respeito da emoção sentida pelo pintor ou da sensação que ambicionava passar ao rabiscar aquela tela.
Nem com pintura clássica dá para advinhar o que exatamente se passava na cabeça (ou no coração) do artista. Claro que nesse caso, com figuras completamente discerníveis, fica mais fácil de imaginar... Mas a verdade é que tudo não passa de suposição. O sentimento ao certo e na íntegra nunca poderá ser decifrado. E, se foi, você nunca terá certeza de que o decifrou.
Cada um vê e entende uma mesma imagem de sua própria forma, inspirado por tantas outras coisas que já viu, viveu, interpretou e cuja interpretação guardou como algum tipo de memória.
Aparentemente esse meu papo lariquento não tem nada a ver com o vídeo postado... Mas eu garanto que tem. Ah, se tem.
O episódio que aqui postei foi puxado de outro blog, chamado Adorável Psicose, o qual descobri pelo Facebook e achei bem divertido. Ele me lembrou tantas mulheres que conheço e tantas conversas que já ouvi... Acho que nós mulheres somos todas mais ou menos psicóticas... Ou somos, ou ficamos, de tanto, tal qual aquele pessoal intelectual que citei no primeiro parágrafo,  tentar descobrir o sentido oculto de um monte de borrões em tela...
Passamos muito tempo, aliás, perdemos muito tempo tentando interpretar cada palavra (e cada não palavra por trás do que foi dito). Não basta simplesmente olhar para o quadro e ver que sensação despeta na gente. Não. Queremos saber que sensação a pessoa sentia quando o pintou, o que ela quis dizer com aquela pintura, que sensação a pintura sente quando olha pra gente, rs.
De que adianta então tanto discurso ou tantas perguntas?
Deixemos de fingir que entendemos os quadros de arte moderna.
E - mulheres - deixemos de tentar entender tudo que se diz ou que se cala.
Deixemos de ser psicóticas!


quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Banda Mais Bonita de que Cidade???

Enfim volto a este blog! E volto como críticca musical.
Depois do bafafá no Facebook gerado pelo churrascão da gente diferenciada, a brigaiada no Twitter por causa da piadinha infame do Gentili sobre os judeus e o trem, agora temos mais uma prova de que está mesmo todo mundo "causando" na internet. É a canção da tal Banda Mais Bonita da Cidade, chamada Oração, que estourou no YouTube e já inspirou milhares de sátiras na web.
Nos países muçulmanos a internet tem promovido levantes. No Brasil tem promovido humor... Rs.
Hoje de tarde li a letra da música. Achei um amontoado de rimas pobres, aliás, miseráveis... Bom, amontoado não, que afinal de contas não são tantos versos assim. Na verdade, são meia dúzia de versos repetidos duzentas vezes...
Agora de noite ouvi a música e vi o vídeo. A presença do som já melhora um pouquinho nosso ânimo quanto à canção... Afinal sejamos compreensivos:  não é toda letra que é tão poesia a ponto de ser perfeitamente apreciável quando apartada da música...
O vídeo então acaba deixando a coisa até simpática: um monte de jovens se divertindo no que parece ser uma república. O vídeo é a coisa mais bacaninha da canção! Aliás, é a única coisa de fato bacaninha! O detalhe é que a única coisa genuinamente bacaninha parece não ser tão genuina assim...  A idéia saiu de um clipe de uma tal banda chamada Beirut, que eu não sei se é a mais bonita da sua cidade - ou a mais gostosa, pois nunca a vi na vida.
O fato é que não há rítimo animadinho e nem clipe simpatiquinho que impeça o cansaço após ouvir um zilhão de vezes oss mesmos versos... Parece que a música leva uma hora pra acabar! Só não consegue, é claro, ser mais chata que Florentina de Jesus!
Se bem que, embora alguém gostar da música Florentina de Jesus não fizesse sentido algum, pelo menos o verso fazia sentido em si... Já quanto á Oração não sei dizer ao certo... Talvez houvesse plantação de maconha em algum armário daqueela república, pois ainda me perrgunto como e por quê caberia uma penteadeira dentro de um coração!!!
Para mim só uma linha da letra faz sentido: a do título! Oração: coisa que as pessoas repetem indefinidamente sem o menor sentido! E não, não estou dizendo que as orações não têm sentido - nem mesmo estou dizendo que essa canção não o tenha. O que quero dizer é que as pessoas repetem o que aprendem sem pararem para refletir sobre os sentidos daquelas palavras.
Bom, nem sei se foi a idéia da banda chamando a música de Oração remeter á idéia (de fato totalmente presente na letra, rs) de repetição...E se foi, certamente foi pensando no sentido positivo do term: repetir várias vezes um verso simbólico, um pedido, algo que faz se sentir bem, sei lá. Sentido para as coisas cada um encontra o seu. Eu encontrei o que mais combinou com a minha personalidade irônico-herege para criticar a música do momento. Fale bem ou fale mal, tem que se falar dela!
E eu, apesar de agnóstica assumida, só posso me valer do provérbio "quanto mais eu rezo, mais assombração aparece" para descrever o meu estado de espírito com relação à indústria fonográfica brasileira.
Pelo menos nesse clipe as pessoas estão vestidas!!! E não fazem movimentos de ginástica tântrica! É uma evolução!!! Isso até surgir alguma paródia em versão funk como "A Bunda Mais Bonita da Cidade"!!!



quinta-feira, 14 de abril de 2011

A causa albina

Nasci albina, mas demorei bastante tempo para me dar conta dessa minha condição. Nem lembro quando foi. Só me lembro de o assunto não ser muito popular na minha família. Era tomar conhecimento da coisa e depois nunca mais tocar no assunto. Por isso sequer sei ao certo quando compreendi porque e no que era diferente dass demais pessoas. Segui a postura da minha família por um tempo, mesmo algo (talvez a curiosidade) gritando dentro de mim que aquele não era o modo correto de lidar com a situação. E não era mesmo, pois, se fosse, eu não teria tão graves problemas de auto estima.
Segui muitos anos assim: tendo como referência de albinos e de "aceitação" da condição albina apenas meus dois tios e meu pai. Não eram más referências. Os três são inteligentíssimos e, a despeito de todas as dificuldades que a deficiência visual possa nos impor, me mostraram (não com palavras, mas com seus exemplos de vida) que as dificuldades não são limitações. Os três são muito bem sucedidos profissionalmente.
Eu já sabia então, desde cedo, que ser albina não me impediria de ter sucesso na vida acadêmica e na profisssional. Mas ter dinheiro não é consequentemente ter felicidade. Se eu não estivesse feliz com quem eu era sem dinheiro, não estaria com quem eu fosse com dinheiro. Afinal de contas, eu continuaria sendo albina. Bom, a menos que com bastante dinheiro eu conseguisse fazer o caminho inverso do michael Jackson... rs.
Eu precisava entender o que era o albinismo para saber quem eu era. E fui atrás disso. Li até tese de doutorado de aluno da USP sobre o asssunto. Pronto, a parte genética e fisiológica estava entendida.
Mas e a parte psicológica? Eu precisava conversar sobre o assunto. E tinha que ser com alguém que pudesse me entender. Mais que isso, aliás. Precisava que fosse alguém também albino, só que com uma visão emocional diferente da que "aprendi" com minha família sobre a situação. Eu precisava de outras referências.
E foi o Orkut que me permitiu encontrar essas outras referências. Conheci outras pessoas albinas, pessoas com uma visão mais positiva do albinismo. Pessoas essas que me fizeram ver o albinismo de forma mais positiva também. Pessoas que me mostraram que há uma forma bem mais leve de encarar e aceitar as diferenças. Pessoas das quais fiquei amiga por causa do albinismo e das quais continuo amiga por outras afinidades além.
Para todos nós albinos que se conheceram pela internet essa iteração foi muito importante. Ao longo dos encontros era possível ver como aquela troca de informações, percepções, confissões e experiências ia aos poucos nos deixando cada vez mais seguros e felizes. Não estávamos mais sós. Não éramos mais a excessão. Havia ali do lado alguém igualzinho a nós, que passava pelos mesmos problemas, fossem os práticos decorrentes da baixa visão ou da sensibilidade a luz solar,  fossem os emocionais decorrentes de se ser diferente do comum.
Essa felicidade nos deixou muito tempo em lua de mel. Eram inúmeros encontros branquinhos. Em princípio para criar um blog e uma ong para ajudar albinos e seus famíliares por todo país, conscientizar, disseminar conhecimento e tentar reduzir o preconceito. Mas aos poucos os encontros foram se tornando apenas festas entre amigos e nossas grandiosas idéias de ajudar a sociedade foram se perdendo pelo caminho.
Com o tempo a lua de mel também foi acabando. Ou porque já havia passado a empolgação inicial e - acreditem - ver mais um albino passou a ser "lugar comum". Ou porque ficamos com a auto estima tão fortalecida que até esquecemos que pertencíamos a uma "minoria" e fomos cuidar de nossas vidas.
Acho que comigo foi a segunda opção. Eu melhorei tanto a minha auto estima (embora até hoje não o suficiente para dizer que ela seja de fato boa) que até me esqueci que era "diferente dos outros". Eu esqueci que era albina. E todas aqueles planos de ajudar outras pessoas albinas menos sortudas do que eu - sim, aquelas que não tiveram a sorte de nascer numa situação sócio-econômica que lhes permita comprar aparelhos ópticos especiais e protetores solares - acabaram ficando esquecidos também.
Foi asssim que cada albino foi tomando seu rumo e os planos de blog e de ong ficaram sem rumo nenhum. Continuaram tendo contato entre si os albinos que eram amigos por outras afinidades (e não mais por serem albinos em si).
O único albino que continuou atuando pela causa albina foi o Anderson, albino nascido na Bahia, e em uma família pobre e negra . Por ter nascido numa família pobre, numa região igualmente empobrecida, Anderson não tere  por muito tempo acesso aos meios para cuidados especiais contra o sol que nossa pele requer,; tempo o suficiente para que, aos seus vinte e poucos anos ,já sofresse com um terrível câncer de pele. Por ter nascido em uma família negra, que desconhecia o albinismo e que não entendia como poderia haver um descendente legítimo tão branco, parece que também sofreu certa rejeição e nenhum apoio nos seus tratamentos médicos.
Anderson era atuante na "causa albina" antes de nos conhecer - havia até fundado uma associação na Bahia, chamada APALBA - e continuou atuante mesmo depois que a maioria de nós desanimou. Ele tentou por várrias vezes nos chamar para o que ele chamava de militância.  Tentou tanto que alguns de nós até o considerava um tanto "xiita"... A alguns de nós também parecia que a avaliação quee ele fazia dos problemas e limitações decorrentes do albinismo ou seja, da gravidade da desgraça de se ser albino, era muito radical.
Aconteceram muitas discussões no plano filosófico, sociológico, existencial, de causa e efeito, etc, quanto ao albinismo e aos problemas enfrentados pelos albinos, que variavam muito com a condição social do indivíduo, é claro.  Nós, albinos do sul (ou de classe média)  ficavámos incomodados com a idéia de passar ao mundo uma visão de  que ser albino era ser coitadinho e fadado ao fracasso, assim como nos incomodava o Anderson parecier acreditar que a condição de albina trazia sérias limitações á pessoa, exigindo uma postura mais asssistencialista do governo.
Talvez essa diferença de posiconamento no fundo nem existisse  e nós estivéssemos interpretando mal ao Anderson. Talvez ele pensasse daquele modo mesmo, e isso seria bem concernente com tudo o que ele aprendeu vivendo e vendo outras pessoas em condição igual a sua viverem.  Pessoas na condição de pobreza, sem acesso a uma assistência dermatológica e oftalmológica adequada, sem acesso á informação, mais susceptíveis a problemas de saúde decorrentes do albinismo e mais expostas a situações de preconceito.
Fosse como fosse, enquanto nós, paulistas intecetualizados, ficávamos discutindo toda essa parte teórica entre causas e consequências de um possível sofrimento albino, Anderson partia para a prática. Independentemente de ele achar que o problema do albino era ser albino em essência ou era ser albino pobre, o fato é que ele ajudava aos albinos, do jeito que ele podia e com base no que conhecia.
Mês passado, enquanto eu fazia minha feliz viagem, recebi a notícia de que Anderson havia falecido por causa do cãncer. Foi só então que entendi que o câncer de pele para os albinos é um problema bem real. E a morte em sua decorência também. Antes parecia apenas uma hipótese teórica para mim.
Agora vejo que para muitos albinos não é apenas uma hipótese, e sim uma q"uase certa possibilidade".
Para ser albino e ter saúde, tanto física quanto psicologicamente, é preciso ter muita sorte. Sorte para nascer na família e no lugar certos.
Então, apesar dos pesares, posso dizer que tive sorte. Alguns maldosos talvez dissesem que maior sorte eu teria se não nascesse albina... Mas se assim o nasci, foi por algum motivo. Ou era para aprender algo, ou era para ajudar outros albinos com menos sorte.
Ironicamente ser uma albina de sorte fez ser mais difícil compreender os albinos que não o eram...











quarta-feira, 30 de março de 2011

Quando a esmola é demais...

Depois de Roma, íamos para Nápoles, fazer tal cidade como base para podermos ir á Pompéia, ao Vesúvio , á Ilha de Capri e à Costa Amalfitana.
Só que depois de termos ficaddo hospedadas num bairro de prostitutas em Paris (Pigali), rs, acabamos refletindo sobre nossas reservas de hotéis e revendo as localizações dos mesmos. E foi assim que trocamos Nápoles por Pompéia.
Daí lá fomos nós hoje logo cedo pegar um trem de Roma prra Nápoles e outro de Nápoles pra Pompéia, arrastando nossas malinhas ruas, eescadas e estações a fora, subindo e descendo as malinhas dos trens... E malinhas que estão agora bem mais pesadinhas (de comprinhas em Roma).
´Chegamos em Pompéia, uma cidade pequenina e muito bonitinha, e saímos arrastando as malas (e nos arrastando) pelas ruas de paralelepípedos atrás do nosso hotel. Não achávamos. Peedimos informação a algumas pessoas e elas nos disseram quee o hotel havia fechado! Gelamos. Havíamos sido vítimas de um golpe na internet? Ficaríamos na rua? E agora?
Fomos até o endereço e realmente estava fechado!!! Mas... havia mudado para o outro lado da rua! E o dono do hotel já estava nos esperando! Respiramos aliviadas, entramos no hotel e fomos recebidas com taças de champagne!!!
Como diz o velho ditadop brasileiro: quando a esmola é muita, o santo desconfia. Então tememos que toda essa hospitalidade fosse um pedido de desculpas antecipado por uma acomodação ruim. Daí entramos no quarto e descobrimos que não. Então começamos a peensar se não havia um "boa noite cinderela" na bebida. Depois de algumas horas de lucidez percebemos quee de fato não. Então só nos restou concluir que o tal ditado realmente só se aplica no Brasil! As pessoas aqui na Itália (e também na Espanha mais modestamente) são de fato simpáticas! (Tanto é que, quando chegamos em Pompéia e fomos pedir informação a um senhor sobre a localização do hotel, ele até ofereeceu seu celular para que usássemos e ligássemos para o estabelecimento!)
De noite jantamos num restaurante muito gostoso, que também é do dono do nosso hotel, fomnos obviamente atendidas por um garçom brincalhão e saliente, que nos trouxe de brinde um licor de maça (que mais parecia uma aguardente) no final e ainda ganhamos do gerente do restaurante um livrinho com fotos da cidade.
Por fim, voltamos ao hotel e o dono, que também é o cara que atende os hospedes, nos informou que já havia agendado nosso passeio ás ruínas de Poméia e ao Vesúvio para amanhã e nos deu um livro sobre o assunto para lermos antes de dormir, rs. Doidão.
Eba, amanhã vamos ver vulcãozinho!!!!!!