terça-feira, 23 de outubro de 2012

Super Blog!!!!

Impressionante como minhas postagens sempre começam com alguma alusão ao fato de que faz tempo que não posto nada... Desta vez não farei isso. Restringirei-me apenas ao fato de comentar que segunda entrei no Facebook, sem o qual faz tempo que já não posso mais viver, e me deparei com a ressurreição do blog da minha prima Milena. Ela dizia algo como "vamos ver se esse blog agora vinga", fazendo referência ao abandono sofrido por seu blog anterior... No mesmo instante me lembrei de que sou uma mamãe blogueira desnaturada também e pensei que "precisava" escrever algo.
Mas acho que precisar não é bem o termo. Escrever deveria ser mais uma forma de lazer, assim como ler. Mas, a partir do momento que se tem um blog, se sente na obrigação de ter inspiração com alguma regularidade. E inspiração é o que não me falta. Todo dia, várias vezes ao dia, quando leio, vejo ou vivo alguma coisa, me surgem vários textos na cabeça... O que me falta é disciplina o suficiente para organizar os pensamentos e passar as ideias da cabeça para o "papel".
Olho para esse imenso campo em branco na tela do computador e não consigo me decidir por onde começar, então acaba que não começo.
Esta paralisia criativa frente à imensidão branca, aliás, foi objeto de outra postagem no Facebook que me fez pensar na minha improdutividade blogueira... Foi um post do meu adorado blog Adorável Psicose, no qual Natália Klein compara a vida à uma página em branco do Word e faz uma analogia entre a imensidão de possibilidades e o peso da responsabilidade das escolhas no preenchimento da página com textos e da vida com decisões.
Eu não vou tão longe. Primeiro porque a cobrança que sofro como blogueira é apenas a que eu mesma me inflijo, é a auto cobrança. Já a Natália Klein precisa mesmo escrever; faz parte da profissão dela. Não que o blog seja a profissão em si, mas faz parte de a manter na mídia e de mostrar ao mundo sua criatividade.
Segundo que não pretendo fazer aqui nenhuma grandiosa metáfora filosófico existencialista. Dane-se a humanidade agora; serei individualista e falarei de mim e meu problema!
Não postar aqui tem a ver com a mesma coisa que me atrapalha em vários campos da minha vida. Essa mesma coisa que me consterna na hora de decidir o que escrever, me atrapalha na hora de decidir o que ler, ou, no trabalho, o que resolver. Eu quero fazer, escrever, ler, aprender e resolver tantas coisas ao mesmo tempo e sem conseguir estabelecer prioridades ou ao menos, na verdade, ordená-las de alguma maneira (que não necessariamente dependa da preferência), que acabo não fazendo, não escrevendo, não lendo, não aprendendo e não resolvendo coisa alguma... Ou, para ser menos injusta comigo mesma, acabo demorando demais para começar a fazer, escrever, ler, aprender e resolver alguma coisa. E assim acabo fazendo, escrevendo, lendo, aprendendo e resolvendo menos do que gostaria - e certamente do que poderia.
São tantas vontades e tantas necessidades e só 24 horas por dia e só uma vida para essas tantas possibilidades que só tendo superpoderes mesmo para conseguir fazer tudo!
Eu precisaria ser uma Super Mulher para conseguir trabalhar, malhar, cuidar das cãs, da casa e da mãe, namorar, passear, estudar, ler, viajar, ver os amigos, enfim, viver - e ainda escrever no blog!
Não sou uma Super Mulher e certamente advém daí a impossibilidade de ser uma Super Blogueira. Mas lhes asseguro de que em breve existirá de verdade um blogueiro com superpoderes. De verdade, só que na ficção, rs.
Hoje, leiam só que interessante, vi uma reportagem contando que na próxima edição dos quadrinhos do Super Homem, nos Estados Unidos, o panacoso Clark Kent vai largar o Planeta Diário e virar blogueiro!!!!
Haha, aposto que ele vai acabar criando uma conta no Face e se perdendo no meio do caminho internético... E vai ficar que nem eu: postando esporadicamente!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feliz Idade

Três meses de abandono deste blog... A última postagem foi uma reclamação ranzinza a respeito dos trinta, mais para seguir um clichê e atender às espectativas da sociedade (coisa que não costumo muito fazer) do que porque os trinta (e um) me pesem de verdade.
Na verdade, acho que estou na melhor idade. Aos poucos (ou ao longo de todos esses tantos anos) me vejo conquistando tudo que sempre quis, mais ou menos do jeito que imaginava e hoje me sinto uma mulher feliz.
Para ser sincera, acho que sempre fui feliz, só que antigamente com a felicidade entrecortada por momentos de angústia ou inconformação normais no processo de desilusão com algumas descobertas das verdades da vida e das pessoas ao longo do caminho.
Hoje a felicidade está mais serena, menos abalável por ataques passionais de revolta. Exceto, claro, quando bato o cotovelo ou o dedinho do pé em alguma quina amaldiçoada, quando assisto ao programa eleitoral gratuito ou quando leio postagens estúpidas no Face de bons samaritanos ou falsos profetas que ficam pregando a palavra divina em vez de terem atos cristãos.
Aliás, foi a postagem de uma conhecida no Face que me animou a escrever esta postagem aqui...
Sabe quando está tudo tão certo que você fica com medo de ter alguma coisa errada?
Faz tempo que eu tenho me sentido um pouco receosa de ser tão feliz. Desde quando tudo começou a, em geral, dar muito certo. E não sei precisar quando foi isso. Como, no meu ponto de vista - seja olhando para o presente ou para o passado - as coisas para mim costumam dar mais certo do que errado, não sei precisar em que ponto começou o que os religiosos chamariam de a benção divina na minha vida.
O meu medo, o qual descobri que a conhecida que postou no Face compartilha comigo, devido a sua postagem, é de não saber qual a moeda de troca e quando é que começarei a pagar.
Não sou uma pessoa tão boa, não faço caridade, não rezo, nem sequer tenho religião. Por que Deus é tão legal comigo, se eu nem acredito direito nele?
A minha conhecida da postagem é espírita. E eu sou uma simpatizante do espiritismo. Isso explica nossa indagação.
Sei que o espiritismo justificaria toda essa felicidade nos dando inclusive certo mérito por ela, já que as escolhas na vida e o modo de encará-la são nossas... Então, na verdade, talvez o fato de a minha vida ser mais alegre do que triste seja só uma perspectiva minha. Talvez outra pessoa no meu lugar e nas mesmas circunstãncias  iniciais tivesse interpretado de outra maneira e seguido por outro caminho menos rosado e mais árido.
Aliás, uma outra pessoa mais pesssimista no meu lugar realmente teria motivos para justificar seu sombrio e desanimado ponto de vista, pois eu mesma disse que no meu caminho havia rosas - e era justamente para poder usar a alegoria óbvia da exxistência dos espinhos. Nada é perfeito sempre, a começar pela minha acuidade visual e pela minha capacidade de produção de melanina, rs.
Mas, com uma gama tão vasta de possibilidades de sofrimento existentes nesta terra, fui acometida por alguns bens sutis. (Sei que aquela pessoa pessimista do parágrafo acima poderia não os achar tão sutis assim, mas eu digo que ela estaria errada - e que seria equivocadamente e inutilmente infeliz).


O ponto é que o espiritismo também prega a caridade ao próximo e eu só a exerço com aqueles bem próximos mesmo! E isso se admitirmos o apoio emocional aos amigos como ato de caridade.
Por isso ainda me pergunto porque mereço essa felicidade e o que Deus, o Destino, o Acaso, os Astros, o Universo, o Infortúnio ou seja lá o que for que rege toda esta bagunça aqui espera de mim em troca.
Por isso estou sempre em alerta - se fosse um cão, estaria de orelhas em pé -, esperando pelo momento em que a fatura chegará. E tenho medo de não conseguir pagar...
A sorte de ser espirita-simpatizante é poder pensar que talvez eu só vá receber a tal fatura em outra vida, rs.

domingo, 20 de maio de 2012

De Repente Trinta



Para quem não sabe, 'De Repente Trinta" é o nome em português de um filme do gênero "comédia romântica bonitinha bobinha" cujo título original é "13 going 30".
No meu caso, o título deveria ser"13 going 31", para estar mais de acordo com a realidade da minha idade e fazer a devida alusão à dislexia digitacional, mal do qual já devem ter notado, caros leitores, que sofro.
De repente 31... E, a bem da verdade, não foi tão de repente assim. No dia 15 de maio eu estava com 30 anos (não com 13), já era portanto uma balzaquiana de fato, e no dia seguinte acordei com 31... Envelheci um ano em um dia!!!! Como isso é possível??? Talvez devêssemos contar os meses, para o impacto ser menor... Doses homeopáticas de envelhecimento.
Bom, eu deveria estar em crise, pois afinal rompi enfim a barreira dos trinta. 
Ano passado fiz a fatídica idade, que é um marco na vida de toda e qualquer mulher. Saí dos "vinte e poucos", que para mim continuavam sendo "vinte e poucos" mesmo quando já estava na casa dos "vinte e muitos"; saí, portanto, da juventude.
Mas este ano a coisa é mais grave. Entrei na série dos "trinta e"... "Trinta e agora falta pouco para entrar na casa dos "enta"", de onde só se sai morto - ou muuuuito velho!
Pois bem, eu deveria estar em crise, e até faço um charminho para parecer que estou... No meu trabalho, por exemplo, quando uma colega veio me cumprimentar com os parabéns, eu retruquei dizendo que o cumprimento adequado seriam os pêsames. Ela sabiamente argumentou que eu deveria ficar feliz por fazer mais um ano de vida, considerando que a alternativa seria estar morta. Sábias palavras, às quais eu rebati constatando que um ano a mais de vida era, na verdade, um ano a menos para viver.
Mas, redigo, isso tudo é só para fazer tipo. Esses 31 anos, foram, ao meu ver, por enquanto muito bem vividos. E também serão os que ainda me restam viver. Aliás, tenho eu cá a imprressão de que, quanto mais velha fico, mais sei aproveitar a vida.
Onoré de Balzac estava certo ao exaltar a beleza madura e ainda jovial da mulher de 30. Tenho sentido isso em mim e prrincipalmente visto isso em minhas amigas, as quais vejo mais bonitas agora do que quando tinham seus 20 aninhos...
Onoré de Balzac tinha razão. E Sérgio Reis também! 
Sim, porque foi justamente nessa semana que, coincidentemente, ao ouvir "Panela Velha", resolvi prestar atenção na letra da música e descobri que, ao contrário do que eu imaginava, Sérgio Reis não cantava sobre uma cinquentona, e sim sobre "a mulher com mais de trinta"!
Mas nem isso me deprimiu. Continuo achando que a casa dos 30 é a melhor idade. É um meio termo entre a maturidade serena dos 40 e a empolgação jovial dos 20.
Entretanto, é claro que continuarei fazendo charme ao declamar (e reclamar) minha idade, sempre esperando ansiosamente que alguém diga que na verdade pareço ter 20.
Feliz aniversário, envelheço na cidade.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Centopeismo - Mais um post inútil


Semana passada estive em Porto Alegre, em viagem de trabalho. Comi muita carne vermelha sangrenta, tomei muito suco de uva e, bah, como ouvi aquele adorável sotaque da gurizada gaucha!!! Mas nem toda picanha mugindo do Rio Grande do Sul me traria satisfação suficiente a ponto de me fazer esquecer da decepção que lá tive.
Bem dizem que a ignorância é uma benção! Até quando deixei de ignorar o fato de que na semana anterior à minha visita à POA havia ocorrido lá uma grande feira de calçados eu era completamente feliz. Depois daquela descoberta não fui mais a mesma... Tive até ganas de começar a tomar aquele outro suco de uva gaucho, o com álcool!
Sei que os possíveis leitores do sexo masculino, ao menos aqueles que não forem homossexuais, jamais conseguirão conceber as causas e razões de tamanho desapontamento, uma vez que loja de calçados há em todos os lugares e que afinal eu nem preciso de tantos sapatos assim já que só tenho dois pés...
Mas, se pararem para analisar a situação de forma mais atenta, pensarão que sim, de fato há lojas de calçados em qualquer lugar e perceberão também que, em qualquer que seja este lugar, haverá mulheres enlouquecidas atacando as estantes de produtos ou ao menos devaneando na frente das vitrines; qualquer mulher e em todo lugar.
Quando fico triste, torno-me também reflexiva e, meditando sobre tão relevante questão, percebi que o fanatismo das mulheres por sapatos é quase uma verdade universal, uma certeza absoluta num mundo tão cheio de dúvidas, um pressuposto de se ser mulher.
Claro que não tenho dados estatísticos, pois desconheço qualquer pesquisa a respeito, porém me arrisco a dizer que 9 em cada 10 mulheres não consegue passar incólume à vitrine de uma loja de calçados! E isso, meus senhores, é curioso. Tão curioso que deveriam existir estudos na área da psicologia a respeito!
A que tipo de qualidades ou poderes as mulheres associam os sapatos que usam? Por que eles são tão importantes para sua imagem?
Já ouvi dizer da importãncia dos calçados para os dentistas. Não, não dos seus próprios, e sim dos de seus pacientes. Segundo uma amiga que já foi dentista, sua classe de colegas precifica o serviço conforme o sapato que o paciente usa. Para os dentistas, a análise do sapato é uma forma de auferir o poder aquisitivo da pessoa.
Portanto, meninas, só chinelinho para ir ao onsultório, hein! E que não seja Havaianas, porque agora Havaianas ficou chique! E pensar que “na minha época” - de criança – Havaianas era tão considerado brega e de pobre que carinhosamente chamado de “abaianas”; chique menos era Rider!
Bom, voltando ao tema, digo-lhes que considero de grande importãncia o investimento em estudos num novo campo da psicologia para descobrir quais emoções profundas na alma (ou melhor, na psiquê) feminina estariam associadas à imagem de um belo par de sapatos.
Se fosse questão de mera futilidade, poderiam ser roupas, lingeries, bijouterias ou bolsas – e de fato existem algumas bolsomaníacas -, mas os sapatos exercem sobre a grande maioria das mulheres um facínio especial...
Quem sabe entendendo isso, seria possível aos homens compreender um pouco mais as mulheres...
Confesso que nem mesmo eu compreendo. Eu lhes diria que preciso de tantos sapatos diferentes para poderem combinar com diferentes bolsas, cintos, roupas, brincos. Esta é a minha explicação consciente para o caso. Mas as razões inconscientes e subjacentes eu desconheço. E não sei se Freud explica.
O que sei é que este post está ficando pior do que aquele da última bolacha do pacote. Mas entendam minha situação: hoje é segunda véspera de feriado, chove, faz frio e, no entanto, estou eu cá trabalhando! Ou, melhor dizendo, estou eu cá no trabalho, tentando trabalhar enquanto embaixo da minha janela acontece um show da CUT!
O som está tão alto que em alguns momentos os vidros da janela vibram... Bom, ou é isso ou é só o vento frio mesmo... Enfim, estou quase morrendo congelada ao som de axé, pagode, sertanejo e afins.
Antes que meu cérebro atrofiasse, fosse pelo frio ou pela influência musical, e antes que eu morresse de frio (imaginem só que tragédia a última coisa a se ouvir antes de se morrer ser Michel Teló!), decidi escrever algo para o blog, o qual andava jogado às traças... Mas confesso que este não seria um bom legado!
É, acho que vou trocar minha tara por sapatos por mania de tampões de orelha... Comprarei de todos estilos e cores!!!
Bom, agora que já trabalhei quase nada e escrevi um post super ruim, acho que posso ir embora para casa com a sensação de... Dever cumprido? Não. De dia comprido!!!!
Ah, sim, em tempo: chove lá fora; ainda bem que estou com a minha bota nova que comprei em Porto Alegre!

terça-feira, 27 de março de 2012

Na foto passada ou no espelho de agora?


Estava revirando meus arquivos de backup do meu aposentado e convalecente desktop e me deparei com um dos textos que escrevi para o meu "profile" do Orkut.
Fazendo um paralelo com a trilha sonora dessa postagem, não sei se me reconheço mais na foto passada ou no espelho de agora. Não sei se aquelas duas imagens são ainda a mesma pessoa. E, se não forem, também não sei dizer qual é a melhor e a pior.
O texto foi escrito, se não me engano, um pouco depois que sai daquele meu trabalho que me trouxe tanto sofrimento, suposto  aprendizado e tantos questionamentos éticos-morais (como os do post anterior). Na conclusão do dito cujo lá dizia eu "Portanto, inocência perdida, mas creio que equilíbrio encontrado".
Quanta inocência... Se existe a inocência arrogante dos jovens, que, mesmo sem ainda terem vivido nada, acham que tudo sabem e tudo podem, existe também a inocência arrogante daquele que se julga maduro porque viveu alguma coisa, alguma coisa sofreu e julga que algo aprendeu de modo definitivo e imponderável.
Eu sábia e arrogantemente discorria  a lição de vida:
"A mesma de sempre de fora para dentro, mas já outra de dentro para fora.
Sentimentos grandes muitas vezes acabaram me levando a ter atitudes muito pequenas.
De todo modo, tenho orgulho de tudo que errei. Orgulho porque aprendi com os erros.
E mais orgulho ainda porque sei que sempre errei pelos motivos certos.
Não retroagiria, não reescreveria e nem me reinventaria."
Hoje não tenho orgulho de nada, especialmente porque já não sei se sou a mesma de dentro pra fora, de fora pra dentro, ou outra coisa qualquer.
Se já não sou igual, o que mudou? Se ainda sou, o que ficou? As virtudes? Ou os vícios?
Agora humildemente respondo que os meus 30 anos vividos e sofridos não são o bastante para eu saber responder. Muitas vezes tenho a impressão de que mudei completamente. Mas outras, tenho a impressão de que continuo a mesma, sempre cometendo os mesmos erros, sempre tendo os mesmos defeitos.
As vezes me parece que maturidade é tomar consciência dos próprios defeitos - e não conseguir de fato mudá-los. E ter consciência deles e da incapacidade de mudá-los é mais doloroso do que não ter consciência.
A ignorância e a juventude são uma bênção.
Creio que a única coisa que ainda se aproveita daquilo que escrevi quando achava que estava tendo uma epifania de amadurecimento foi que  "Não importa como os outros me vêem, importa como eu vejo a mim e se estou satisfeita comigo. Importa mesmo é quem me faz ver a mim e ao mundo de uma maneira melhor. Importa mesmo é quem desperta em mim os melhores sentimentos e me faz desejar ter as melhores atitudes."
Hoje desejo muito ter os melhores sentimentos, as melhores atitudes, ser alguém melhor e quem sabe poder responder à tal pergunta...
Terminei aquele meu texto exaltando meus defeitos como se no fundo eles fossem grandes qualidades: "De gênio ruim, sangue quente, coração bom e alma boba alegre"!
Hoje não sei mais se gênio ruim e coração bom não são simplesmente coisas que não podem coexistir.
E que sorte que não tem isso de "profile" no Facebook, porque hoje, sinceramente, eu  não saberia o que escrever!
Tenho uma amiga carioca que sempre posta no Face que caminhou, caminha ou caminhará na orla para refletir sobre a vida.
Eu, como boa paulista, pelo jeito terei que caminhar no shopping para refletir sobre mim!

Ser amigo ou ser colega?

Estava fazendo backup do meu desktop e encontrei um texto nerd-deprimido de meados de 2008, quando tive muitas experiências complicadas no meu ambiente de trabalho, quando descobri que as pessoas eram piores do que eu imaginava e que eu mesma não era tão boa quanto supunha.
Hoje posso dizer que continuo a mesma da época em que escrevi esse texto - se não um pouco pior -, mas a dúvida que nele torturava já não tortura mais.
Um dos poucos, se não o único, dos defeitos que tenho que já nem me incomoda mais é pensar da maneira que eu pensava naquela época quanto a relacionamentos humanos.
Bom, relendo o texto, eu na verdade o achei uma porcaria, rs, mas como faz tempo que não posto nada aqui, vai isso mesmo.


Ser amigo ou ser colega?


Faz tempo que tenho me pegado num dilema pior do que o dilema hamletiano: ‘Ser amigo ou ser colega”?
Para poder optar entre um e outro, era preciso que eu primeiro entendesse qual a essência de cada um deles, então, é claro, recorri ao maior oráculo pós-moderno que conhecemos: o Google!!! O oráculo mostrou-me que a Wikipédia tem sempre mesmo a resposta para tudo e foi lá que descobri o que parece ser a definição socialmente aceita dos dois termos:
          “Amizade (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amore; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Em sentido mais estrito, são chamados de amigos aquelas pessoas com quem se costuma realizar atividades recreativas, tais como esportes, jogos diversos, sair à noite; ou no contexto dos adolescentes, aqueles com os quais se dão melhor na escola. Muitos apontam nisso uma confusão entre o conceito de amigo e o de colega, este sim um tipo de pessoa com o qual não há fortes laços de companheirismo, apenas interesses afins”.
          Foi então que descobri que, pelo menos na teoria, o meu Código de Ética da Amizade não estáva tão desatualizado, conservador e retrógrado quanto eu andei pensando que estivesse...
          Mas o meu lado racional que busca sempre a verdade por meio da constatação empírica - criado e alimentado nos anos matemáticos da faculdade de economia - me faz pensar em milhares de testes de observância que corroborassem a tese da Wikipédia. Passando da análise semãntico-social da essência dos termos para a análise científico-sociológica do comportamento social vigente, conclui que, ou minha amostra anda meio viesada, ou a teoria não é confirmada pela prática...
          E isso me fez pensar que talvez a língua precise mais que de uma reforma ortográfica; talvez precise de uma reforma semântica, pois, do que foi definido pela Wikipédia, parece que ultrimamente sobrou mais o sentido extrito do termo amizade do que o sentido amplo.
          Outra hipótese é de que a amizade em si, como termo, continua sendo a mesma, porém sua frequência de ocorrência diminuiu, tendo aumentado a prática social extrita do chamado “coleguismo”. Nesse caso, a língua não precisa de reforma semãntica; quem precisa de reforma sou eu... e então eu volto a meu enigma: “Ser amigo ou ser colega, eis a questão”.
          Para mim, que só conheço o sentido amplo - com seu amplificado sentimento - do termo amizade,  a categoria coleguismo fica parecendo uma pseudo amizade e, como é bem sabido (se é que a semântica não andou mudando mesmo), pseudo é indicação de algo que é falso, que é enganoso, como uma imitação do que é verdadeiro.
          Talvez eu esteja sendo muito restrita e deva relaxar a hipótese do que significa o prefixo “pseudo” assim como do termo amizade, para encontrar um intervalo de aceitação maior para as relações sociais observadas empiricamente. Então, aceitando que “imitação da verdade” não é uma coisa falsa e sim uma “meia verdade”, posso dizer que o coleguismo é uma “meia amizade”.
          Só que meia amizade, para mim, acaba sendo uma amizade pela metade, uma amizade em que eu não posso ser inteira, porque não posso falar toda a verdade. E eu não sei ser de outro jeito se não for sendo inteira... Eu inteira já sou tão pequeninha, como eu posso ser de mim somente a metade?
          Sendo amiga pela metade eu me sinto sendo uma pseudoluciana. Sendo pela metade eu me sinto como não sendo nada... E, sendo pseudoeu, só consigo interpretar o pseudo com o significado de “falso”, e não consigo acalmar minha consciência dizendo que é um “quase verdadeiro”.
          De tantos auto questionamentos éticos e crises de consciência por ter tentado nos últimos tempos abstrair o termo amizade e praticar o coleguismo, só posso concluir que realmente, nem com Google e Wikipédia, eu aprendi o que é ser colega. Porque, se eu fosse colega, não me pegaria me preocupando tanto com os sentimentos de outras pessoas e me questionando tanto com minhas atitudes quanto a elas.
          Então, para a minha questão só existe uma resposta: ou eu preciso desistir mesmo quando não der para ser amigo ou preciso enfim aprender a ser colega...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tudo Azul!

Como alguns dos meus muitos meia dúzia de leitores andaram praguejando contra a coloração parada gay do meu blog, especialmente porque a consideravam muito chamativa, dificultando o procedimento de leitura discreta de coisas de ordem pessoal no ambiente de trabalho, resolvi "repaginar" isso aqui.
Tentei usar cores sóbrias, mas sobriedade comigo só mesmo no quesito ingestão restrita de bebidas alcóolicas... O que eu queria mesmo era tacar um rosa choque aqui! Mas isso não resolveria o problema da indiscrição delatora do meu blog... Nem o da alusão ao homossexualismo.
Daí pensei no lilás, que não chega a ser gay, mas está quase lá... É uma coisa que está entre o rosa e o azul... É uma indecisão... Ou uma decisão pela duplicidade talvez... Mas enfim seria certamente ainda uma decisão pela indiscrição.
Então me esforcei mais um pouquinho e o mais sutil e monocromática que pude ser foi optar porr este design novo que estréio com o presente post.
Optei por este azul celestial não porque eu seja angelical... Nem porque combina com meus olhos (cof cof). E sim porque combina com a postura que escolhi pra minha vida: a de escolher todos os dias ser feliz. Então, parar mim, mesmo nesses dias paulistanos cinzentos de agora, está sempre tudo azul!
Bom, é bem verdade que em alguns momentos de alguns dias fico vermelha de raiva, mas o saldo final dos dias é sempre positivo. Então sempre estou no azul.
E é por isso que escolhi esse azul-celestial-quase-discreto para a nova carinha do blog! Assim a página ficou um pouco menos escandalosa, porém continuou toda alegrinha!
(E até hoje não entendo porque o azul em inglês - blue - serve para remeter à ideia de tristeza...)







sábado, 21 de janeiro de 2012

Pró Albino

O Pró Albino é um programa desenvolvido pela ong Sociedade Brasileira de Dermatologia. A intenção incial do programa é disponibilizar acompanhamento médico dermatológico para pacientes que apresentam albinismo.
Uma das unidades integrantes do programa fica na Santa Casa. E nesta unidade especificamente, além do acompanhamento dermatológico com o Dr. Marcos - que, pelo que entendi, é um dos principais responsáveis pelo projeto -, há também o  acompanhamento oftalmológico, realizado pelo Dr. Ronaldo Sano.
Rick (Paulo Henrique) e eu estivemos lá nessa sexta, passamos por consulta com ambos os médicos e também fizemos um montão de perguntas. E o resultado desse nosso "passeio" eu vou contar aqui.
Todos os albinos que são atendidos pelos doutores Marcos (dermato) e Ronaldo (oftalmo) devem voltar a cada 3 meses, para ter sua saúde acompanhada, e entram para um banco de dados, que será utilizado numa pesquisa que os médicos estão desenvolvendo. 
A pesquisa tem por objetivo estimar quantos albinos há no país e levantar a sua situação de saúde, com a finalidade última de ter informações suficientes para embasar um pedido junto ao Governo Federal de desenvolver programas de atenção à saúde da pessoa albina, o qual incluiria não só o atendimento específico para albinos na rede de saúde pública, como também a distribuição de protetores solares, roupas especiais, equipamentos ópticos, etc.

O exame oftalmológico:
O exame oftalmológico que o Dr. Ronaldo Sano realiza é completo. Há aquele tradicional exame de se enxergar as letrinhas para auferir a acuidade visual de cada um - e ele fornece laudo atestando a condição de pessoa portadora de deficiência - visão subnormal - , caso o paciente peça e sua acuidade seja inferior a 30% já com a melhor correção (ou seja, com óculos). 
Rick e eu temos a mesma acuidade visual, de 15% sem óculos e 20% com e somos, portanto, legalmente considerados deficiente visual. 
Imagino que esse vá ser o caso da maioria dos branquinhos.

Há também o exame que avalia se a pessoa tem transiluminação da iris.
Transiluminação da íris é o seguinte: embora nossa iris seja colorida (em geral azul), na verdade ela não é suficientemente pigmentada e o que acontece é que as células de pigmento se dispõem de forma espaçada, permitindo que a luz  entre pela íris, quando não deveria (a luz só deveria entrar pela pupila). Além de prejudicar a formação da imagem no fundo do olho, essa transiluminação é o que nos deixa com tanta sensibilidade à luz (fotofoia).
O exame que avalia essa situação é aquele no qual o oftalmo coloca uma luzona incandecente nos nossos olhos e olha para eles através de um aparelho...
O Dr. Ronalndo deixou eu ver como os olhos do Rick apareciam nesse exame e o que eu vi foi o seguinte: a íris apareceu toda bem vermelha. Toda a íris que nós vemos azul, no exame aparece inteiramente vermelha. E isso indica total transiluminação da íris.
No meu caso aconteceu diferente. A minha íris não apareceu vermelha, continuou azul, só que, segundo o médico e o Rick, um azul bem mais clarinho que se vê "a olho nu". Então foi concluído que eu quase não tenho esse problema de transiluminação.

Por último é realizado um mapeamento da nossa retina e uma espécie de fotografia do nosso fundo de olho. E para fazer esse exame é preciso dilatar a pupila. 
O resultado sai na hora (no computador) e o Dr. Ronaldo mostrou como é o nosso fundo de olho, que, por ter pouca ou quase nenhuma pigmentação, aparece todo vermilhinho e deixa ver os vasos sanguíneos. Ele nos mostrou também como é o fundo de olho de uma pessoa com pigmentação normal, então ficou evidente a diferença.
Nesse exame eu também me mostrei "mais moreninha" que o Rick, pois o meu fundo de olho tem algumas regiões pigmentadas.
Daí voces me perguntam: se eu tenho mais pigmeento que o Rick na íris e na retina, por que enxergamos igualmente mal?
Eu acho que a explicação tem a ver com a segunda parte do exame. Nesta segunda parte o oftalmo nos mostrrou que nenhum de nós apresentava mácula...  
Falando de forma resumida, é a área central da retina, que é uma depressão (mais "funda" que o restante) e bem mais escura (mais pigmentada). Pelo que entendi, é responsável pela visão central e é a parte do olho que possibilita uma visão com maior clareza e definição.
Nem Rick e nem eu temos mácula. Por isso imagino eu que seja a ausência da mácula a principal responsável pela baixa acuidade visual dos albinos... Mas é só dedução minha; o oftalmo não falou exatamante isso.
O que o oftalmo disse é que o nistagmo (movimentação involuntária dos olhos de um lado para o outro) tem a ver com essa ausência de mácula. Os olhos fazem isso porque estão procurando aquela região onde a imagem seria protejata com mais clareza... Pobres olhos, nunca a encontrarão! Rs
Ah, e é o nistagmo que reduz consideravelmente a nossa capacidade de ver os efeitos em filmes 3D... Pois, para vermos imagens 3D, precisamos juntar exatamente as mesmas imagens vindas de cada olho. Elas precisam ser exatamente idênticas e estarem fixas. E o movimento dos olhos ocasionado pelo nistagmo reduz essa capacidade.
Vejam só, não estou dizendo que albinos não vêem as coisas de modo tridimensional ou não têm noção de profundidade, e só que esta capacidade fica um tanto reduzida.
Eu já havia percebido isso quando fui ao cinema com outras pessoas ver filmes com efeito 3D. Os efeitos mais radicais eu também via, só que pra mim eles eram bem mais sutis. E os efeitos sutis eu nem via... E o Rick havia comentado que com ele acontecia o mesmo. Agora sabemos o por quê. 
Segundo o Dr. Ronaldo, nenhum dos 41 albinos até agora examinados possuía mácula.
Mas, pelo que percebi, há grandes variações tanto na pigmentação quanto na capacidade visual entre nós albinos, de forma que é preciso que cada um de nós faça a consulta, já que cada um terá um resultado diferente.

O Dr. Ronaldo nos informou que em breve serão realizados testes de lentes de contato com os albinos que o desejarem.
Tais lentes terão grau, isto é, substituirão os ósculos na correção de problemas de refração (hipermetropia, astigmatismo e miopia), mas, além disso, possuirão um filtro escuro na região em que fica a íris, justamente para reduzir a entrada excessiva de luz por ela (ou seja: reduzir o problema da transiluminação da íris).
A idéia de tais testes é verificar se a redução da entrada de luz melhora a visão dos albinos.
Rick e eu já nos comprometemos a participar.

Exame dermatológico

O exame dermatológico foi mais rápido e menos detalhado que o oftalmológico. O médico avaliou a condição da nossa pele (se possuía sinais de lesão em virtude da exposição ao sol) e analisou nossas pintas (que são na medicina chamadas de nevos) para verificar se havia nelas a formação de pigmento.
Pelo que entendemos, a idéia é poder classificar o paciente albino. Se houver formação de pigmentos nos nevos, o albino é classificado como do Tipo 2 (o tirosinase-positivo; aquele que produz alguma melanina). Se não houver, o albino é do Tipo 1 (tirosinase-negativo; aquele que praticamente não produz melanina).
Rick e eu fomos ambos classificados como o albino mais moreninho, ou seja, aquele do Tipo 2, pois nossas pintas apresentam pigmentação.
Eu no passado fiz várias pesquisas a respeito do albinismo e em muitos dos textos científicos que li era contextada a possibilidade de se definir qual albinismo a pessoa apresentava apenas com um teste clínico e por isso questionei o Dr. Marcos a esse respeito. Ele concordou comigo que o mais adequado seria realizar um teste de mapeamento genético, chamado PCR  (Polymerase Chain Reaction). Disse-me, entretanto, que tal teste é muito custoso (R$ 5 mil por pessoa) e que por enquanto não recebem financiamento para tal.
A ideia do Dr. Marcos e do Dr. Ronaldo é buscar futuramente junto à FAPESP, apresentando esse projeto de pesquisa, financiamento para a realização desse exame PCR (teste genético) para conseguir averiguar que tipo de albinismo cada paciente apresenta.

Considerações Finais: 

Peço a todos branquinhos que façam um esforço e participem desse projeto, indo se consultar na Santa Casa ou na unidade mais próxima da sua região (para saber qual, acesse o link: http://www.sbd.org.br/medicos/sociedade/servicos/default.aspx ).
É importante que todos participem, para que a Sociedade Brasileira de Dermatologia possa enfim realizar um grande estudo no país. A partir desse estudo será possível levantar dados que permitam se entender melhor o funcionamento do albinismo e se pleitear a atenção do Estado às pessoas albinas.
Além de estarmos colaborando, cada um de nós poderá fazer avaliação dermatológica e oftalmológica gratuita. Além disso, o oftalmo pode dar atestado de visão subnormal e receita de óculos para quem precisar.

Observações importantes: 

1- Por enquanto o acompanhamento oftalmológico associado ao dermatológico só está sendo feito aqui em São Paulo, na Santa Casa.
2- O Programa Pró Albino ainda não está funcionando em todas as unidades que aparecem lá inscritas na Sociedade Brasileira de Dermatologia, por isso, antes de ir até o local, ligue lá e confirme.
3- Para a realização do exame oftalmológico é feita a dilatação da pupila. Por isso, quem quiser, peça ao Dr. Ronaldo um atestado dispensando do trabalho naquele dia, que ele fornece.
4- O Dr. Ronaldo se dispôs a responder dúvidas e realizar agendamentos de consultas por email, por isso, quem quiser o email dele, é só pedir pra mim ou pra Dre (Andreza Cavalli).











terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Gosto não se discute

Gosto não se discute... Se lamenta!
E foi assim que, por muitos anos, completei essa frase, achando uma ironia muito engraçadinha.
Hoje me pergunto se não é uma ironia arrogante... Quem sou eu para lamentar ou condenar o gosto de alguém?
Semana passada foi pauta de algumas discussões no Facebook a capa da Época com o atualmente famoso Michel Teló e seu sucesso do momento “Ai delícia”. A crítica era ao fato de a revista ter se dignado a fazer um artigo sobre esse assunto e a ter dito que a tal música representava a cultura popular brasileira. O blogueiro autor do post que deu início à discussão estava inconformado com o fato de o artigo ter tratado uma música com uma letra tão inócua como sintetizadora e representante da tão vasta cultura popular brasileira. Ele nem entrou no mérito de avaliar a qualidade da música, mas muitos comentários ao seu post sim.
Eu também achei estranho a revista dedicar tempo, pauta e capa a um assunto como esses, uma vez que eu imagino que seja apenas um sucesso de momento, feito com ajuda da mídia e a partir de uma letra fácil, “divertidinha” e repetitiva como tantas outras e que em breve, como aquelas tantas outras, cairá no esquecimento. Não vejo o porquê de este “fenômeno” ser considerado diferente ou maior que os outros.
Também não acho que uma única música seja capaz de sintetizar toda a cultura de um povo, que tem várias nuances, ainda mais considerando-se um povo que vive em um território tão grande quanto o nosso. Mas acho que entendo o que a revista quis dizer...
Convenhamos que aquilo a que chamamos de MPB já não é mais de fato representante da música popular brasileira. Infelizmente (a meu ver), a maioria da população não ouve Chico Buarque. A maioria da população gosta de letras mais fáceis, fáceis de entender e de cantar. É isso que faz sucesso.
Daí pessoas como eu, pseudo cultas e pseudo intelectuais, com uma boa formação universitária, que gostam de ler e de escrever, torcem o nariz para tudo isso e dizem que não é cultura.
Mas é preciso pensar, sem pré conceitos e sem juízo de valor, no que significa cultura. Cultura não é o que eu gosto e acho refinado. Cultura é o conjunto de sistema de valores, ideias, conhecimentos, técnicas e padrões de comportamento de uma sociedade. Ela é ampla, em parte diferente conforme a origem social ou regional, e se manifesta por meio de todo tipo de produção artística.
Nesse sentido, goste eu ou não, o tipo de música que grande parte da população brasileira aprecia é sim uma expressão cultural. Analisando racionalmente Michel Teló é tão cultura quanto Chico Buarque.
O problema é que colocamos erroneamente juízo de valor no termo cultura, assim como fazemos com o termo ética. Dizer que alguém não tem cultura só porque o gosto da pessoa é diferente do seu (e você não gosta do gosto dela) é tão terminologicamente equivocado quanto dizer que alguém não tem ética só porque o conjunto de valores dela é diferente do seu.
Claro que mentirei se disser que não me incomoda e nem me entristece ver que Michéis Telós da vida fazem sucesso estrondoso e que Chico Buarque é desconhecido de muitos. Assim como, sim, me assusta novelas e programas como BBB fazerem tanto sucesso, enquanto que tentativas como o “Festival Cultura da Nova Música Brasileira” não emplacam... Morro de medo que o Brasil vire uma Idiocracia e já nem sei o quão longe ainda estamos disso, considerando que a maior parte da população não tem senso crítico e nem bom senso político. Parece que cada vez somos menos convidados a pensar e a refletir... Por isso entendo aqueles que agora se manifestam no Face contra o BBB, fazendo campanha contra “esse lixo do BBB”, entretanto parece-me um tanto “nazista” e arrogante tal visão. É a “elite intelectual” dizendo ao povão que o que ele assiste é lixo.
Mas, vamos lá, em primeiro lugar, não é só o povão “sem cultura” (aqui no sentido de sem acesso à educação e à informação) que assiste esse tipo de programa no Brasil. E nem é só no Brasil que ele faz sucesso... Na verdade, ele foi importado de países desenvolvidos, onde os anos de estudos e o número de livros lidos anualmente por habitante são muito maiores.
Em segundo lugar, por que chamamos lixo? Chamamos lixo porque achamos que ele não só não acrescenta conhecimentos para a pessoa, como também compromete seu poder de raciocinar, aniquila seu senso crítico.
Mas eu vejo de outra forma. Embora eu não goste mais desse tipo de programa, creio que o problema não está exatamente em as pessoas o assistirem para se distrairem. Dizer que as pessoas só devem assistir programas como noticiário da Cultura e Roda Viva seria dar uma de intelectual chato que só quer ver “filme cult” e que torce o nariz pra comédia pastelão ou romântico água com açúcar.
Não é o tempo todo que queremos tratar de assuntos profundos, densos. As vezes só queremos ver um filme, assistir um programa ou ouvir uma música para se divertir e relaxar, não para refletir e pensar.
O problema de verdade aqui é nunca querermos refletir e pensar. O problema aqui é nunca termos contato com assuntos mais profundos e densos. O problema aqui não é assistirmos BBB; é só assistirmos BBB e o assistirmos sem o devido senso crítico desenvolvido para podermos discernir o que dele deve e o que não deve ser absorvido.