Ser mãe é um mundo de coisas, sentimentos e sensações vários, alguns maravilhosos, outros horrorosos, muitos contraditórios, se contradizendo e atuando simultamente até.
Mas hoje me dei conta de que um deles, a felicidade, é muito bom e muito fácil de se sentir. Hoje percebi que ser mãe é conhecer a real sensação de sentir felicidade nas pequenas coisas.
Sempre fui uma pessoa do tipo passional e que, portanto, se empolga e se alegra por pouco (assim como também se revolta por quase nada, rs), até com coisas que nem me dizem respeito diretamente.
Só que aquilo lá era alegria: ficar eufórica, com vontade de dar pulinhos, por algo simples.
O sentimento do qual falo agora é felicidade, não alegria; é aquela sensação de inflar o coração e o sentir tomado por prazer e paz simultaneamente.
Nesse final de semana ocorreram duas coisas totalmente irrelevantes para a sociedade e para o universo, porém muito significativas para mim. Uma ruim, que foi a Ana Luíza ter tido constipação intestinal e sofrido de madrugada com gases (madrugada em que sofremos todos por aqui). Outra fofinha, que foi Ana Luíza ter se apaixonado pelo brinquedo da bebé de uma vizinha. Pegou a bonequinha de pano da Dora Aventureira emprestada e não quis mais devolver; passou o domingo afeiçoada e agarrada à boneca.
Na segunda passei a manhã aflita, até receber a notícia de que Ana Luiza tinha feito cocô. Depois passei a tarde preocupada, vagando de loja em loja e de camelô em camelô na 25 de Março atrás de uma bonequinha igual aquela da bebé da vizinha, até poder respirar aliviada por encontrar.
E hoje de novo Ana Luíza passou o dia sem fazer cocô, deixando meu coração ressabiado até que enfim, de noite, a paz de espírito veio em forma de fralda carregada.
A sensação que tive ao encontrar a bonequinha da Dora Aventureira para comprar foi indescritível e muito profunda. Fiquei verdadeiramente tão feliz que acho que contei o causo umas trocentos vezes, para todas pessoas do trabalho. Todas devem ter me achado louca. Ou boba.
E hoje, olhando para aquela fralda cheinha de cocô, me dei conta de que estava sentindo de novo aquele sentimento gostoso, tranquilizante e pleno. Eu estava verdadeiramente e profundamente feliz por causa de um cocô.
E no dia anterior eu havia estado verdadeiramente e profundamente feliz por causa de uma bonequinha de pano bilíngue, como se não pudesse haver nada mais realizador nesse mundo do que encontrar aquele brinquedo.
É realmente a felicidade nas pequenas coisas, não é?
É a felicidade de pensar na felicidade da minha pequena.