domingo, 30 de julho de 2023

Rio Quente: Hotel Pousada ou Hotel Giardino, qual o melhor???

Este não é um blog de viagens, mas acho interessante deixar algumas informações registradas aqui para o caso de algum viajante as estar buscando na intenet. Então vou falar da minha experiência no Rio Quente, já que acabei de voltar de lá e estou com as informações fresquinhas na cabeça.

O Rio Quente é um complexo com 5 hotéis e 2 parques. Dentro do complexo estão o Parque das Fontes, que é um parque com diversas piscinas de águais termais que fica aberto o dia e a noite toda e só pode ser frequentado por hóspedes e o Hot Park, parque aquático cuja entrada é livre para hóspedes dos 5 hotéis do complexo, mas que também recebe público externo pagante. (Quem se hospeda nos 5 hotéis do grupo não precisa comprar ingresso paraa o Hot Park e pode ir durante toda a estadia, se quiser).

O Hotel Pousada é o que fica mais próximo aos dois parques, podendo se ir andando. É também próximo ao Toldo do Bosque, espaço onde há apresentações teatrais e musicais gratuitas de noite. E onde ficam também uma pizzaria e um Bar Brahma. Esta hospedagem costuma oferecer meia pensão, com café da manhã e almoço. Eu me hospedei com minha família lá em 2019 e achei ruim esse sistema de meia pensão, pois durante o dia tinhamos que sair do parque e voltar para pegar o almoço e, de noite, tínhamos dificuldade para o jantar, pois ali dentro do resort as opções são limitadas e caras.

O que eu não sabia na época é que há 2 hotéis do complexo que ficam fora do resort e que oferecem transporrte gratuito para dentro do resort a cada 20 minutos. São os hotéis Lupi e Giardino. Desta vez, agora em 2023, ao voltarmos, ficamos hospedados no Giardino. Ambos hotéis têm bastante comércio e restaurantes próximos, com preços bem mais acessíveis que dentro do resort para comer ou comprar lembrancinhas. Mas você não precisa necessariamente ficar hospedado em um desses dois para ter acesso a esse centrinho comercial da cidade; basta pegar o transfer do resort para o Hotel Giardino, descer lá, ir fazer suas compras ou refeições e depois pegar o transfer de volta para dentro do resort.

Minhas impressões sobre o Hotel Giardino foram de que é um hotel "ok". O quarto é espaçoso, tendo até uma salinha de estar. A cama e o chuveiro são ótimos e o pessoal do hotel é simpático e atencioso. Porém o sistema de refeiçao deixa bastante a desejar. 

O regime de hospedagem desse hotel é meia pensão, sendo café da manhã e jantar. Tanto num como no outro há poucas opções de comida e pouca variedade de um dia para o outro, além de a comida não ser muito saborosa. Não é ruim, mas também não é boa. (Se não me engano, o Hotel Pousada tinha mais variedade de pratos, mas eles também não eram grande coisa, pelo menos lá em 2019).

Como fomos agora em julho, alta temporada, o hotel estava lotado e o restaurante não estava conseguindo dar conta da demanda. Pratos e copos se esgotavam rapidamente e eram repostos ainda molhados. E era bastante difícil encontrar uma mesa para se sentar e fazer a refeição. 

Minha experiência desta vez, com o Giardino, não foi muito boa, pois eu e minhas filhas ficamos doentes (com diarréia e vômito) e não sei dizer se foi uma infecção alimentar ou se foi alguma outra substância nas águas dos parques. O que posso dizer é que o Complexo do Rio Quente estava muito cheio, beirando o desagradável e, nesses casos, é claro que há um comprometimento da higiene e maior circulação de virus ou bactérias.

Aliás, tanto no Hot Park quanto no Parque das Fontes havia tanta gente que era muitíssimo difícil encontrar uma cadeira ou espreguiçadeira para deixar as toalhas de banho e roupões.

Em resumo: o Rio Quente é uma delícia, mas recomendo fortemente não ir em alta temporada, pois fica difícil usufruir dos serviços com tranquilidade e há o risco de se adoecer.

Quanto a qual hotel ficar, acho que depende do perfil de cada hóspede e dos valores da diária. Quando cotei a viagem, ainda em março, já não havia disponibilidade no Hotel Pousada e Os Hotéis Cristal e Turismo (que também ficam dentro do complexo, mas um pouco mais distantes dos parques) eram quase o dobro do preço do Giardino e do Lupi. Optei pelo Giardino porque a hospedagem no Lupi não incluía refeições.

O Hotel Cristal, ao que parece, é o mais "chique" do Complexo. Mas não fica perto das entradas dos parques e é preciso pegar o transfer para lá. Se não me engano, ele é próximo da Praia do Cerrado, que fica dentro do Hot Park e tem uma área exclusiva para hóspedes, com uma portaria que já sai nela e que é perto do Cristal. Para quem entra pela entrada principal do Hot Park, tem que andar bastante para chegar até a Praia do Cerrado.

O Hotel Turismo fica mais perto dos parques, portanto não há transfer para ele, vai-se andando. Mas é menos próximo que o Hotel Pousada.

Cristal, Turismo, Lupi e Pousada oferecem brinquedoteca. Não fomos na do Turismo. A do Cristal, que em 2019 era ótima e tinha monitoria, agora está com poucos brinquedos, brinquedos quebrados e sem monitores. A do Lupi é uma salinha bem pequena. Já a do Hotel Pousada (que não existia em 2019) é bem legal, ampla e tem monitores, ficando aberta até 22h, de modo que os pais podem deixar os filhos lá e irem jantar com calma, se quiserem.

Ah, sim; o Complexo Rio Quente tem recreação infantil, das 9h às 17h. Mas não possoavaliar, pois não utilizamos este serviço.

Espero ter ajudado e desejo boa viagem!


sábado, 11 de abril de 2020

Meu Primeiro Amor - Parte I

Noite dessas contei para Analu como historinha antes de dormir a história de como conheci, perdi, reencontrei e depois me perdi de novo do meu melhor amigo de infância, que foi também meu primeiro amor, amor de criança. Porem omiti dela o viés romântico, para não suscitar tais ideais tão cedo; deixa eles aflorarem sozinhos... Um dia, Analu e Juliana, fazendo pesquisas na intenet, talvez achem esse post e conheçam a história sem censuras. Um dia, com uns 8 anos, rsrsrs.
Conheci Renato no  maternal da escolinha do bairro e nos tornamos inseparáveis, até que meus pais nos separaram, me mudanda de escola para cursar o pré . E depois me mudaram de novo para iniciar o ensino fundamental.
Na nova escola as turmas eram dividdas em A, B e C conforme o nível de desempenho do aluno. Fui admitida de forma glamourosa na turma A, mas logo fui rebaixada para a B e depois para a C por não estar acompanhando bem o processo de alfabetização e aprendizado dos números. Meu problema era de deficiência visual, não intelectual, mas ninguém parou para prestar atenção a isso, é claro, nem mesmo meus pais.
No meu primeiro dia na 1º série C, fui sentada na primeira carteira (como se isso fosse suficiente para um albino enxergar a lousa). O menino sentado atrás de mim começou a chorar porque o lápis dele quebrou a ponta e não tinha apontador. Algumas crianças escarnearam. Eu, que na época me condolecia ainda mais das dores alheias do que hoje, me enchi de compaixão pelo menino que chorava e de raiva dos que zombavam. Lembro-me do sentimento até hoje, pois acho que foi a primeira vez que tive a ciência de o sentir,
Lembro-me também que abri o meu estojo, aquele estojo super moderno dos anos 80, automático, que você só apertava os botões e ele abria sozinho um de seus infinitos compartimentos. Peguei um lápois e me virei para trás para oferecer emprestado ao menino.
Quando nos olhamos, nos reconhecemos familiares, mas levou ainda algum tempo para nos reconhecermos de verdade, não sei quanto, mas, afinal, era muito tempo que não nos víamos! Um ano em tempo de criança é tempo demais.
Tornamo-nos inseparáveis de novo. Inseparável fiquei também da irmã mais nova dele, Cecília, que se tornou também uma amiga muito querida.
Com o tempo fui sozinha entendendo qual era meu problema escolar e qual sua solução: levantar da carteira e ir de pertinho ver o que estava escrito na lousa. E assim acabei sendo promovida de volta ao A. Mas minha passagem pelo C já havia me valido: para reencontrar o Renato e para aprender logo cedo que eu teria que me virar sozinha na vida acadêmica porque nenhum professor me perceberia de verdade.
Voltei para o A, Renato continuou no C, mas nos encontrávamos no recreio e no transporte escolar de volta para casa. E no transporte descobrimos que apenas uma pracinha separava as ruas de nossas casas... E assim nos tornamos amiguinhos de final de semana também. Ele brincava de Barbie comigo e sua irmã só para brincar conosco. Os meninos zombavam; ele não ligava. Eu brincava de brincadeiras de moleque também, só para brincar com ele. Ninguém zombava, só minha vó se preocupava se eu não era sapatão...
Naquela época criança não namorava e ficava vermelha de falar no assunto, por isso era um dos instrumentos de tortura favoritos dos amiguinhos pressionarem os outros para dizer de quem gostavam, porque todo mundo gostava de alguém... Muitas vezes revelávamos o grande segredo nos cadernos de pergunta... E, vou dizer, era um saco ficar caçando as respostas do Renato naqueles cadernos, porque eu me distraia lendo as respostas dos outros e acabava me esquecendo qual número era qual pessoa (e só me entenderá quem regular de idade comigo, rs).
Renato respondia no caderno que gostava de Luciana. Luciana respondia que gostava do Renato. Os amiguinhos de um iam contar pro outro. E todos ficávamos vermelhos de vergonha. No parabéns cantavam "Com quem será" e eu ficava nervosa e envergonhada, porém também secretamente felz, pois significava que era correspondida.
Não existia essa coisa de dar beijo, não existia nenhum traço de sexualização. Eu me lembro até hoje dos meus sonhos românticos com o Renato. Era uma coisa bem meiga e carinhosa: a gente andando de mãos dadas no enorme páteo da escola e os pezinhos fazendo barulho nas pedrinhas cinzas claras que cobriam o chão do páteo.
Com os dez anos as coisas começaram a mudar... Renato começou a se importar com a opinião dos outros meninos e não queria mais brincar de brincadeiras de menina. Também começou a gostar de brincadeiras de moleque mais "violentas" e ficou parecido com os demais moleques da rua, começou a falatr palavrão. E eu comecei a achar ele gorosseiro e chato. E daí nos perdemos de novo um do outro, dessa vez por escolha.
E esse é o final da história do meu primeiro amor, amor de criança, inocente, genuino e gratuito, amor de sentir carinho, cuidado e solidariedade. Embora a lição seja de que muitas vezes o amor acaba porque as pessoas mudam com o tempo e a vida mesmo e aí já não se reconhecem e não se completam mais, obviamente não foi a minha leitura à época. Eu era só uma criança que aos poucos foi se desapontando (sem saber que era esse o nome do sentimento) com um amiguinho e se desinteressando de conviver com ele, trocando pelo convívio com outras crianças. E brincadeira que segue...
Aos 11 anos mudei de escola de novo. E os outros amiguinhos que eu tinha na mesma rua em que Renato morava se mudaram de lá também, para outra rua do bairro. Então parei de ir brincar praqueles lados e nunca mais soube dele, nem da irmã, até o dia em que fiquei sabendo que tinham se mudado.
Ficaram somente as pouquíssimas fotos da infãncia e as lembranças daquele sentimento inocente e doce, do qual me recordo toda vez que ouço "João e Maria"  do meu querido Chico Buarque.
"Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim"...

Ah, e a irmã do Renato... A Cecília era uma criança cleptommaníaca. Não saíamos da casa dela, ou ela da nossa, sem que ficásemos sem alguma coisa. Eu às vezes relevava, outras revidava. Mas teve um dia em que ela exagerou na dose.  Furtou mais de 100 papéis de carta da minha coleção, uma pasta inteira! Só estávamos ela e eu, a pasta inteira sumiu, e ela negava veementemente que havia pego, mas eu sabia. Fui embora da casa dela muito nervosa... No dia seguinte liguei para ela, no telefone cinza de discar lá de casa, e disse: eu sei que foi você, ou me devolve ou nunca mais serei sua amiga. Ela não devolveu. E eu cumpri minha palavra.
Eu tinha dez anos e já naquela época surgiu em mim a raiva que surge até hoje quando alguém mente para mim, menos pela mentira em si e mais pelo que ela significa: achar que sou idiota. Minha raiva, e disso me lembro bem, era porque a mentira dela passava longe do plausível,,, Como achava que eu cairia naquilo: Era ofensivo.
E nunca mais falei com ela. desde aquela época meu coração é mole, mas minha cabeça é bem dura. Demoro a tomar decisões radicais, sou paciente com situações e pessoas, talvez até permisssiva demais, mas quando decido, é definitivo. Desde os 10anos.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

FALTA DE EMPATIA OU DE RACIOCÍNIO?

Penso que tudo o que fazemos, devemos ao menos nos esforçar para tentar fazer do melhor modo possível. Por isso, mesmo se for para fazer algo errado, acho que a pessoa tem que fazer bem feito! Por exemplo: se for para ficar reparando na vida alheia, pelo menos, além de reparar, reflita e, ao invés de tirar apenas uma conclusão, que geralmente é a mais fácil e mais condenatória possível, faça um exercício de raciocínio e elenque diversas e variadas possibilidades. Pelo menos aí o fato de reparar na vida alheia se torna algo produtivo, tipo uma palavra cruzada ou qualquer outro exercício de estímulo mental...
Hoje uma situação cotidiana e corriqueira, que de fato tem se tornado cotidiana e corriqueira, me fez pensar se a falta de empatia se deve à falta de esforço em querer pensar ou à incapacidade mesmo de o fazer... E não é que eu esteja chamando as pessoas de burras não; é que somos educados para absorvermos o suficiente para termos algum resultado esperado, como passar na prova, passar no vestibular; não somos convidados a refletir. Criticamos sem de fato desenvolvermos o raciocínio crítico.
Todo dia pego ônibus para levar Analu à escola. É apenas um ponto, mas o caminho é subida e, como eu não pago mesmo a passagem, já que tenho bilhete especial de deficiente, literalmente "não me custa nada". Mas todo dia, absolutamente todo dia, tem alguém no ônibus para reparar que o trajeto que farei dentro do ônibus é curto, querer questionar se é isso mesmo o que quero fazer (entrar numa parada e descer na seguinte) e muitas vezes até já condenar minha opção (que absurdo gastar dinheiro para não andar um ponto). 
Já me causa estranheza a pessoa reparar quando entrei e quando saí do ônibus. Em ter reparado, me soa também enigmático a pessoa gastar tempo e energia no tema irrelevante. Mas, já que quer o fazer, por que então não o faz com excelência? A pessoa poderia aproveitar a oportunidade e usar como distração mental ficar (internamente, para si, pelo amor de Deus) elencando as possíveis razões que poderiam fazer alguém entrar no ônibus numa parada para descer em outra, com uma criança pequena, para além do fato de ela possivelmente ser uma pessoa preguiçosa e perdulária, ou estar equivocada, ou ser ums tapada.
A criança talvez tenha uma dificuldade de mobilidade... A mãe, embora vá gastar com o ônibus para um trajeto tão curto, talvez deixe a criança na escola em tempo de pegar a condução de novo usando a integração, ou seja, sem pagar nada, para ir ao trabalho. A mãe e a filha talvez estejam muito atrasadas no dia e tenham pressa... A mãe talvez o faça porque não paga mesmo passagem...A mãe leva a criança de ônibus em vez de ir andando porque a criança gosta e acha que é um passeio...
São tantas respostas possíveis para uma pergunta que nem deveria existir!
Alguns me dirão que eu não deveria me irritar com coisa tão pequena e a esses eu digo que a questão não é a coisa em si, e sim o que ela representa. Há um mundo de pequenas coisas dessa mesma espécie ocorrendo o tempo todo: reparar na vida alheia, sobre temas que não fazem diferença alguma na nossa vida, fazer uma análise superficial do fato e desprovida do conhecimento das variáveis necessárias, chegando-se a um veredicto, geralmente depreciativo, recriminativo, desprovido de qualquer profundidade e, por isso, potencialmente equivocado.
Não é uma coisa pequena e irrelevante. É a postura que temos como sociedade. Buscamos sempre a resposta mais rápida, fácil, que costuma ser a mais feia também. Gostamos de esticar o pescoço para espiar a vida alheia, mas não de verdadeiramente nos debruçarmos sobre o tema. 
Não conseguimos fazer o exercício de refletir e enumerar diversas interpretações para um mesmo fato, que dirá olhar um mesmo ponto por vários ângulos. Como exercitar empatia então? E como ter uma sociedade saudável sem empatia?

terça-feira, 18 de abril de 2017

Tem Mais Pão no Forno

Eu sou filha única. Meu pai é servidor público.
Eu sempre pensei que, se tivesse filho, teria um só. Aliás, uma filha. Loira, taurina e chamada Ana Luíza. E eu seria servidora pública.
Basciamente: repetindo o modelo.... Na verdade querendo repetir apenas parte dele, a parte que eu considerei correta.
Minha infância foi muito feliz, sem solidão, já que eu tinha muitos amiguinhos, e sem grandes perrengues financeiros, afinal meu pai tinha segurança no emprego e, embora não ganhasse grandes coisas, só tinha uma criança para sustentar, então podia me dar/proporcionar várias coisas.
Já minha adolescência foi uma desgraça, especialmente do ponto de vista financeiro, já que meus pais se divorciaram e aí meu pai arranjou outra família pra sustentar.
A soma das duas experiências, creio, me transformou numa pessoa com a ideia fixa de ter apenas um filho, para que eu pudesse me dedicar inteiramente e exclusivamente e para que nada nunca lhe faltasse. E, na minha concepção de quem sempre foi classe média, não podem faltar pro filho coisas que, na verdade, não são essenciais e imprescindíveis. Não podem faltar passeios, não podem faltar cursos, não podem faltar viagens, cada um tem que ter suas coisas, sua privacidade, seu quarto. Enfim, não pode faltar tudo que eu tinha até o "advento" do divórcio e que abruptamente foi tirado de mim. Tudo que é mais fácil prover para um, do que para dois.
E eis que, de repente, eu me descubro novamente grávida. AnaLu não será filha única. E toda minha concepção de como é a vida que tenho que dar pra minha filha ficou abalada. Todos os planos, que já estavam prontinhos desde sempre, talvez tenham que ser alterados, adiados ou esquecidos.
Sempre tentei ser responsável e sempre gostei de previsibilidade. Nunca deixei que decisões importantes na minha vida fossem tomadas pelo acaso. Não sou do tipo que deixa a vida fluindo pra qualquer lado e que depois chama as consequências de vontade divina. Uma gravidez inesperada não combina comigo.
Aliás, sempre achei absurdo gravidez inesperada. Afinal, gravidez é consequência de sexo sem prevenção adequada, não é algo fora do nosso controle.
Agora acabei de descobri o que eu já sabia: mesmo se prevenindo, se não fizer direito e com rigor, uma única chance vira oportunidade para ser surpreendida. Estranha estatística essa...
Eu fui tão leviana, mas tão leviana, que não combina comigo. Então fico pensando se não foi ato falho, se não foi o meu incosciente (subconsciente?) que boicotou a cartela do anticoncepcional e se lá nas entranhas da minha alma eu não tenha decidido ter mais um bebê.
Essa é uma ideia que me conforta, assim como á maioria das pessoas conforta a ideia da vontade divina. E, cá entre nós, tanto uma como outra pode bem ser verdade, ou pode bem ser mentira.
O motivo não importa, porque o passado agora não faz diferença. O lance é o futuro, esse futuro que eu nunca tinha imaginado e que ainda não consigo visualizar.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Meu Bebê Não Dorme Como Um Bebê

Sempre ouvimos a expressão "dormi como um bebê" pra descrever um sono longo, tranquilo e profundo. E daí crescemos imaginando que os bebês são seres que dormem quase o tempo todo, despertando apenas para mamar.
Então parimos e descobrimos que o nosso bebê não dorme como um bebê. Ele reluta para pegar no sono, tem um sono barulhento e agitado, desperta com sons que nem os cães são capazes de ouvir e demora muito a voltar a dormir, se é que volta.
Depois descobrimos que o nosso bebê não dorme como os outros bebês. E que os outros bebês, eles sim, dormem como bebês de verdade. Todos os bebês de todas as mães que conhecemos dormem a noite inteira desde a primeira semana de vida.
Então está resolvido o mistério: a culpa é nossa. Estamos pondo pra dormir muito cedo. Ou muito tarde. Estamos deixando o bebê fazer sonecas muito longas durante o dia. Ou não estamos permitindo que o bebê descanse o suficiente de dia e isso atrapalha o sono noturno. 
Com certeza o leite materno é o problema chave. Ele pode até estar engordando e crescendo, mas, mesmo assim, sem dúvida, o problema do sono é fome.
Bebê tem que ser posto ainda desperto no berço e aprender a adormecer sozinho, nem que leve horas, chorando. Ou, na verdade, bebê tem que dormir com os pais para se sentir seguro e protegido; cama compartilhada é a resposta.
Depois dos 3 meses as cólicas, que ele tem sempre e por culpa do que você comeu (porque toda vez que o bebê chora é cólica), passam  o sono melhora. Não, depois dos 6, quando ele iniciar a introdução alimentar. Na verdade, quando começar a andar e gastar energia. Ou talvez depois dos 12 meses. Certamente depois dos 18. Sem sombra de dúvidas quando passar a ir pra escolinha.
O sono ainda não melhorou porque aos 4 meses existe um pico de desenvolvimento. Aos, 6, um salto de crescimento. Depois vem outro pico, e então outro salto, e outro pico, e novo salto. Saltos se intercalam com picos; picos são sucedidos por saltos. Mas eles só acontecem com o seu bebê, pois, lembre-se, o dos outros dorme que é uma maravilha.
São meses e meses você sendo culpada, você se culpando; você sendo comparada, você se comparando; você tentando todas as técnicas e táticas e percebendo que as vezes elas funcionam, as vezes não. Você estudando todas as teorias e justificativas e descobrindo que as vezes elas se aplicam, as vezes não.
Após meses de tortura emocional, vem você se resignando, percebendo que estratégias que não funcionam sempre, na verdade não funcionam; que explicações que não são certas sempre, na verdade não explicam. E você vem percebendo que com o tempo a situação vai mudando, vai melhorando. Com o tempo. Aos poucos (bem aos poucos). Com algumas pioras eventuais de vez em quando.
E então você entende: não há explicação para o problema do seu bebê e a única solução é o tempo. Quando o seu bebê deixar de ser um bebê, provavelmente enfim ele dormirá como um bebê. Como o bebê dos outros, de todos os outros, dorme desde que nasceu.
Você nunca saberá o porquê.
Daqui uns anos você nem mais se lembrará disso e talvez até dirá a outras mães que o seu bebê nunca deu muito trabalho para dormir.
E o ciclo de angústia e culpa de outra mãe se inicia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Estou Apaixonada

Minhas amigas mais próximas sabem, meu marido certamente desconfia e quem leu algumas postagens aqui deve logo ter suposto que eu passei um bom tempo desde o nascimento da Ana Lú odiando ser mãe a maior parte do tempo, me sentindo desalojada da minha vida anterior e mal alocada na minha vida nova, deslocada na função de mãe. As amigas muito muito próximas sabem, inclusive, que cheguei a me arrepender de ser mãe.
Hoje não me arrependo de ter dito isso a elas, pois era o que eu realmente sentia e, se eu não verbalizasse, não confessasse isso para alguém, seria como se o sentimento não tivesse sido admitido, então não poderia ser resolvido.
Também não me arrependo de ter sentido, pois sentimentos fogem ao nosso controle e á nossa capacidade de ser racional; são guiados por hormônios ou pelo subconsciente. Até hoje não sei bem qual deles guiou o meu, mas acho que o medo (do desconhecido e de falhar) teve grande peso sobre mim. 
Puerpério? Egoísmo? Covardia? Não sei e também já não me importa. Aquela pequena pessoa roliça, de cachinhos dourados e olhos cor de piscina foi aos poucos voltando pra dentro de mim (se enfiando no meu coração - diriam os românticos -, se alojando na minha mente - diria eu). E hoje a ocupação está completa. Ana Lu está toda em mim e por isso eu sou toda dela.
Sabe quando você pensa numa pessoa o dia inteiro e dificilmente consegue se concentrar tanto em outra coisa a ponto de a esquecer de verdade? 
Sabe quando você acabou de se despedir da pessoa e já sente saudade?
Sabe quando seu assunto predileto é a pessoa e basta alguém dar uma brecha para você desandar a falar dela loucamente? 
Sabe quando tudo que você vê te faz lembrar da pessoa?
Sabe quando tudo que você pensa em fazer é para agradar e ver a pessoa feliz?
Sabe quando isso chega no nível de possivelmente as outras pessoas te acharem muito chata?
É isso. 
Estou apaixonada! 
Ser mãe é isso. É estar apaixonada (com tudo de bom e de ruim que este sentimento desperta) pelo resto da vida.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ser mãe é... Sentir grande felicidade nas pequenas coisas

Ser mãe é um mundo de coisas, sentimentos e sensações vários, alguns maravilhosos, outros horrorosos, muitos contraditórios, se contradizendo e atuando simultamente até.
Mas hoje me dei conta de que um deles, a felicidade, é muito bom e muito fácil de se sentir. Hoje percebi que ser mãe é conhecer a real sensação de sentir felicidade nas pequenas coisas.
Sempre fui uma pessoa do tipo passional e que, portanto, se empolga e se alegra por pouco (assim como também se revolta por quase nada, rs), até com coisas que nem me dizem respeito diretamente.
Só que aquilo lá era alegria: ficar eufórica, com vontade de dar pulinhos, por algo simples.
O sentimento do qual falo agora é felicidade, não alegria; é aquela sensação de inflar o coração e o sentir tomado por prazer e paz simultaneamente.
Nesse final de semana ocorreram duas coisas totalmente irrelevantes para a sociedade e para o universo, porém muito significativas para mim. Uma ruim, que foi a Ana Luíza ter tido constipação intestinal e sofrido de madrugada com gases (madrugada em que sofremos todos por aqui). Outra fofinha, que foi Ana Luíza ter se apaixonado pelo brinquedo da bebé de uma vizinha. Pegou a bonequinha de pano da Dora Aventureira emprestada e não quis mais devolver; passou o domingo afeiçoada e agarrada à boneca.
Na segunda passei a manhã aflita, até receber a notícia de que Ana Luiza tinha feito cocô. Depois passei a tarde preocupada, vagando de loja em loja e de camelô em camelô na 25 de Março atrás de uma bonequinha igual aquela da bebé da vizinha, até poder respirar aliviada por encontrar.
E hoje de novo Ana Luíza passou o dia sem fazer cocô, deixando meu coração ressabiado até que enfim, de noite, a paz de espírito veio em forma de fralda carregada.
A sensação que tive ao encontrar a bonequinha da Dora Aventureira para comprar foi indescritível e muito profunda. Fiquei verdadeiramente tão feliz que acho que contei o causo umas trocentos vezes, para todas pessoas do trabalho. Todas devem ter me achado louca. Ou boba.
E hoje, olhando para aquela fralda cheinha de cocô, me dei conta de que estava sentindo de novo aquele sentimento gostoso, tranquilizante e pleno. Eu estava verdadeiramente e profundamente feliz por causa de um cocô.
E no dia anterior eu havia estado verdadeiramente e profundamente feliz por causa de uma bonequinha de pano bilíngue, como se não pudesse haver nada mais realizador nesse mundo do que encontrar aquele brinquedo.
É realmente a felicidade nas pequenas coisas, não é?
É a felicidade de pensar na felicidade da minha pequena.