De que associação lógica saiu a expressão "programa de índio" para qualificar passeios cheios de percalços - ou no mínimo sem graça - eu não sei. Talvez seja uma visão preconceituosa do "homem branco" de que ficar dançando em círculos para a chuva, o sol e sei lá mais que estrela, satélite ou asteróide seja um programa chato. Mas eu lhes garanto que chato mesmo não é ficar dançando em círculos, porque pelo menos se está movendo, e sim ficar, como todo bom "homem branco" paulistano, parado horas e horas em uma fila... Ou o que é pior: andando de fila em fila!
O primeiro "programa de índio" foi no sábado, quando me senti uma típica paulistana, ou melhor, uma típica mendiga paulistana, já que passei um tempão de pé no relento e no frio numa sinuosa fila esperando para tomar sopinha! Não, não fui a um albergue... Isso pelo menos teria a vantagem de ser gratuito! Fui com amigos ao festival de sopas do CEAGESP para comermos aquela deliciosa sopa de cebola gratinada (sim, pagamos para enfrentar fila e depois ainda ficar com bafo)!
Após 40 minutos ao relento esperando a multidão que estava dentro do evento se dignar a ir embora, contando apenas com a piedade de uma simpática mocinha que passava nos servindo vinho como cortesia - o que, aliás, não sei se era por caridade ou para amansar os humores -, enfim passamos para dentro do recinto e nos deparamos com... Outra fila, estrategicamente montada ao lado de um buffet de queijos, pães e patês!!! Desesperadamente esfomeados, atacamos impiedosamente o buffet, de pé, com os pratos na mão. E o buffet atacou impiedosamente nossos bolsos, já que era ccobrado a parte (e que parte grande!).
Mais 40 minutos de espera por uma mesa... Meu estômago, que ao relento reivindicava de forrma plenameente audível por comida, àquelas alturas não clamava por mais nada (talvez porque já tivesse feito autofagia). Quando enfim conseguimos a tão almejada mesa, foi chegada a hora de ir para a fila que efetivamente era a da sopinha. Havia sopa enfim, porém não cumbucas. E, quando houve finalmente cumbucas (parcialmente limpas), não havia colheres.
Era tanta, mas tanta gente, que o pessoal do evento não estava dando conta. Até que conseguíssemos que todas aquelas variáveis (mesa, cadeira, sopa, cumbuca, talheres e bebidas) pudessem ser observadas simultaneamente levou um bom tempo... Tanto tempo que eu já estava cansada demais. Comi somente duas sopas (caldo verde e cebola gratinada), porque só de pensar em ter que ficar de novo de pé numa fila eu desanimava...
Claro que não posso dizer que o programa foi ruim, pois quando se está com um monte de amigos qualquer desgraça fica engraçada, mas poderia ter sido bem melhor se tivéssemos chegado lá antes de toda a torcida do corinthian!!!
A moral dessa história, portanto, não é "não recomendo o sopão do CEAGESP", e sim "recomendo que vá cedo", entre 19 h e 20 h, pois, como a noite é uma criança, parece que todo mundo resolve aparecer por lá após as 21 horas. Segundo a moça do caixa, os dias mais tranquilos, a qualquer horário, são quarta e quinta. Quem quiser ir de sexta ou sábado, tem que praticamente ir para jantar na hora do lanche, rs.
E, já que me tornei especialista em programas de índio neste final de semana (embora ainda não tenha descoberto a "etimologia da expressão"), aproveito para dar mais uma dica aos amigos: nunca, nunca, nunca invente de levar sua mãe ao cinema no Dia dos Namorados!!! Pois sim, haverá uma fila kilomêtrica... Kilomêtrica e cheia de pessoas se agarrando!
Por fim, outra dica importante: independentemente de ser Dia dos Namorados, sendo domingo de tarde, não assista a desenhos, pois haverá crianças lá, infinidade delas, todas gritando durante a sessão, jogando pipoca pra todos os lados e "amanteigando"o chão da sala de cinema!
Aliás, se for simultaneamente Dia dos Namorados e final de semana, não vá ao cinema, muito menos para ver desenhos! Não saia de casa!!!!!!! Ou você estará cercado por crianças e por casaizinhos falando tudinho no diminutivozinho com vozinha de criancinha e se agarrandozinho o tempozinho todinho! Rs.
Apesar de toda acidez irônica, postada aqui só para manter minha fama de má, a verdade é que adorei Kung Fu Panda 2 (mesmo com os berros das crriancinhas e os "nhec-nhec" das poltronas dos namorados)! O desenho é bastante divertido e tem uma "fotografia", rs, muito bonita.
O ensinamento do dia é, portanto: vá comer a sopa no CEAGESP bem cedo e assistir o Kung Fu Panda 2 bem tarde e assim você não terá um programa nem de índio e nem de paulistano!