Não, não é um post retardatário sobre minha viagem. Estamos falando aqui do novo filme de Woody Alen, que se encontra em cartaz e que assisti ontem.
Sei que muita gente tem um certo preconceito com o Woody... Na verdade, pode ser um pós conceito mesmo, já que muitos dos filmes dele são carregados de diálogos e mais diálogos que parecem intermináveis... Especialmente quando o próprio Alen atua... Daí às vezes é quase que um monólogo enfadonho, rs.
Nos últimos tempos parece-me que Woody Alen tem feito filmes menos inovadores no que tange ao tema central em discussão, como me parece ser o caso de Vicky Cristina Barcelona, que para mim é um filme que trata de um tema bem batido e que por isso é indiferente assistir ou não. Mas, por outro lado, os filmes têm ficado menos cansativos em termos de diálogo também.
Não sei qual a relação entre causa e consequência entre as duas coisas, mas agora podemos assistir um filme de Woody Alen, que creeio eu ser encaixável na categoria "cult", nas salas de cinema com aroma de pipoca e chão amanteigado do Cinemark! E, convenhamos, um Woody Alen, mesmo que mediano, acrescenta mais á nossa capacidade de reflexão sobre o mundo e a vida do que um monte da sucessos de bilheteria em cartaz.
Embora eu não conheça toda sua cinegrafia, creio poder dizer com certa convicção que os filmes de Aleen não seguem um mesmo esquema sempre... Como fazer alguma analogia aentre as trashíssimas cenas de "Tudo o que você sempre uis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar" e o suspense "Match Point"? Talvez o mais seguro a dizer seja que a maioria dos filmes dele traz o humor em alguma medida.
Parece-me que ultimamente o humor vem em forma mais sutil e comedida, acompanhado de alguma reflexão sobre o relacionamento entre as pessoas, especialmente o amoroso, claro (e talvez por isso esteja em cartaz no Cinemark). "Tudo Pode Dar Certo" foi assim e não é diferente agora com "Meia Noite em Paris".
Confesso que gostei mais desse último; e não apenas porque senti algo que nunca imaginei que sentiria vendo um filme: nostalgia ao ver um lindo lugar típico de cena de cinema, por já ter ido lá e saber que de fato é assim lindo mesmo! (Suspirei de saudade boa... )
O que gostei no filme é que,o conflito amoroso - meio raso e lugar comum até, já que a noiva do cara era a personificação da futilidade, justificando a indecisão do "mocinho" à beira do altar -, pelo menos no meu entender, era só o pano de fundo para uma outra discussão. Não que essa outra discussão tenha uma pauta super surpreendente; convida a uma reflexão sobre a nostalgia alimentada pela romantização do passado. Sabe aquele provérbio (já que eu gosto deles, rs) "A grama do vizinho sempre parece mais verde"? Nesse contexto a grama é uma época anterior à nossa.
O interessante é como a trama é conduzida, de forma leve e divertida, com um pano de fundo lindo (Paris) e uma história fantasiosa com personagens que dificilmente são conhecidos de quem não é tão "velho" e ou não tão culto, como foi o meu caso, rs.
Entretanto, embora no momento do filme não tenha entendido algumas referências - por falta de conhecimentos mesmo -, isso não prejudicou o entendimento do filme e me convidou a aprender mais. Saí com uma impressão tão boa do filme que fui impulsionada a ir na internet pesquisar todas as referências nele citadas.
E assim aprendi quem era a "Geração Perdida" da década de 20 (personagens do filme e na vida real grupo de artistas de uma época) e até descobri que uma música que eu jurava que era do Chico Buarque (Façamos - Vamos Amar) na verdade é uma versão para uma música antiga de um senhor norte-americano chamado Cole Porter (Let's Do It), pertencente à tal Lost Generation, juntamente com Dali e mais vários outros escritores, pintores, compositores e diretores.
Graças ao filme tomei conhecimento também da existência de um tal cineasta Luis Buñuel e do cinema surrealista da década de 20. Pronto, agora tenho mais uns 10 filmes na minha lista de filmes para ver antes de morrer... Espero ter vida longa!
Enfim, a minha experiênccia com o filme foi ótima e ecoou para além dos 100 minutos de duração da película, por isso resolvi compartilahr. Certamente acrescentou-me mais do que X-Men acrescentaria... Eu jamais teria descoberto oa influência do surrealismo no cinema, embora asd super produções sejam sempre carregadas de muitas cenas surreais!
Eu gostei bastante do filme e concordo com suas colocações. Se fosse para dar uma nota de um a cinco, a minha seria quatro. O filme passa longe de ser genial, mas inspira reflexão, mesmo se tratando de uma comédia romântica, onde o conflito amoroso, como você bem enfatizou, parece servir como pretexto para exposição do tema principal. Franceses, principalmente parisienses devem ficar encantados com a forma como Paris é mostrada no filme. Enfim, eu recomendo ;)
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