Diz-se maduro, segundo o diconário, dos frutos em estado de serem colhidos, do vinho que não é verde, do indivíduo em idade na qual já não se está sujeito a imprudências ou a veleidades, refletindo suas atitudes, socialização e estabilidade afetiva um estado de adaptação ou ajustamento ao meio em que vive. Chama-se de maturidade a circunstância em que as coisas chegaram ao seu completo desenvolvimento.
Ainda conforme o dicionário, um indivíduo chega a seu completo desenvolvimento quando age com moderação, prudência, reserva, cautela, seriedade e circunspecção, que consiste no exame de um objeto ou de uma situação por todos os lados.
As definições do dicionário, no entanto, não aplacaram aquela que sempre foi minha dúvida: em que momento essa tal circunspeção precisa aparecer para evidenciar maturidade?
Sempre fui do tipo que agia movida pela passionalidade. Muitas vezes sentimentos grandiosos me levaram a ter atitudes que considerava pequenas. Não tive capacidade de controlá-las, apenas de ter consciência delas. Primeiro errava, para depois avaliar e admitir o erro. Via essa reflexão e esse reconhecimento (muitas vezes não só para mim mesma, como para outras pessoas) como uma forma não de redenção, mas ao menos de minimização do erro. Mas nunca me achei madura por isso, pois circunspecção à posteriori para mim nunca foi maturidade.
Pelo que entendi das definições do dicionário, na maturidade essa circunspecção vem a priori. O indivíduo maduro pondera as situações e então modera suas ações ou reações. Nesse caso, impulsividade seria então quase o mesmo que imaturidade....
Por tal entendimento, pessoas como eu, movidas por impulsividade, paixão e radicalismo em avaliação dos fatos e dos outros, seriam então imaturas. Pelo meu entendimento também, só que por outro argumento...
Eu costumava achar que a maturidade consistia em simplesmente não sentir sentimentos egoístas, irados, conturbados ou tacanhos que levam a tomar atitudes pequenas ou, nos que ao menos têm ponderação antes de agir, pensamentos pequenos. Uma pessoa madura enfrentaria com serenidade, sem se abalar, certas circunstâncias da vida, tendo sabedoria para entender que é a vida e o tempo que vão mudando as situações.
Agora, porém, admito mais um erro meu, rs: posso ter confundido maturidade com – já que flerto com o espiritismo – evolução espiritual. Olhar para as circunstâncias que não lhe agradam com serenidade e compaixão, tendo certeza de que basta deixar que o tempo cuide de mudar o que tiver de ser mudado, consciente de que cada qual e cada coisa tem seu tempo de ser ou de deixar de ser, talvez seja algo que vai para além da maturidade... Ou da maturidade possível aqui, nesse estágio de evolução em que nos encontramos.
Disse o dicionário que maduro é o ser que alcançou o seu grau de completo desenvolvimento. É bem certo que não existe evolução espiritual sem amadurecimento... Nesse caso, haveria um ponto fixo, aliás, um ponto final e elevado que seria a maturidade e tudo o que vem antes dele consistiria no processo de amadurecimento.
Se assim é, nunca seremos maduros de fato aqui, pois, se o fôssemos, estaríamos em outra realidade. Não somos então outra coisa senão pessoas em processo de amadurecimento. E, a meu ver, na linha de evolução desse processo, a circunspecção a priori está um passo a frente da a posteriori.
De qualquer forma, alivio-me ao pensar que a circunspeção a posteriori já é um passo no caminho do amadurecimento, pois há já aí a manifestação de algum grau de consciência das coisas. Hoje consigo refletir sobre minha s atitudes. Amanhã conseguirei refletir antes de agir. E um dia, quiçá, terei a compreensão de que as vezes é afetado agir e perda de tempo sequer sentir.
Lu,
ResponderExcluirConsidero que a maturidade está intimamente ligada ao senso de responsabilidade. Alguns valores que defendemos, adquirimos ainda cedo, mas há também aqueles que exigem certa vivência para serem percebidos ou para que passemos a reconhecê-los como sendo valores com os quais concordamos. (vejo uma relação direta entre responsabilidade e esses valores).
Restringindo ao aspecto da maturidade que você mencionou, ou seja, a circunspecção, entendo que não é imaturo aquele que durante a vida inteira a fará a posteriori, pois "o completo desenvolvimento", como sugere o dicionário, nunca pode ser alcançado. Considero que estamos em constante crescimento e que a circunspecção a posteriori é uma das formas de se atingir novos estágios de maturidade, como em um ciclo: agir / avaliar / concluir / agir. A conclusão passa a influenciar seu comportamento, geralmente com uma postura mais madura. Por que a circunspecção deveria aparecer apenas quando erramos? Hein? Hein? Hein?
Talvez seja sintoma de imaturidade ter a mesma reação equivocada mais de uma vez, mesmo tendo observado o erro durante uma circunspecção.
Parabéns pela escolha no tema para o post. É de ótimo nível de relevância, foi muito bem exposto e sua opinião está muito bem argumentada.
Ricucho,
ResponderExcluirNão sei se entendi bem a relação que você expôs entre valores e responsabilidade e entre responsabilidade e maturidade...
Alguns valores adquirimos de nossa família, desde a infância; outros construimos com a observação do mundo e de outras vivências. Mas a maturidade está (ou deixa de estar) na hora em que alguma vivência nos pede para que tragamos esses valores do mundo da teoria p/ o da prática. Às vezes, por mais que tais valores teoricameente pareçam sólidos dentro de nós, na prática não conseguimos ser extritamente fieis a eles. E isso para mim seria uma demonstração de imaturidade. Incapacidade de agir conforme o que sabe ser o certo. Ou deixar quee o emocional domine o racional.
Daí vem a circunspeção a posteriori... rs.
Mas tudo bem, talveez isso não seja asssim tão ruim. Talvez na verdade o erro e o consequente arrependimento seja o que realmente fortaleça os valores. E desenvolva a noção de responsabilidade e de consequência dos atos tomados.
Nesse caso, você está certo ao dizer que seria sintoma de imaturidade ter a mesma reação equivocada mais de uma vez, para uma mesma ou similar circunstância... Então, se entendi bem, para você "errar é humano, insistirr no erro é imaturidade", rs.
Quanto à circunspecção aparecer só quando erramos, não foi isso que eu disse, rapaz. Ela também pode aparecer quaando acertamos... Podemos ficar contemplando mentalmente repetidas vezes nosso acerto, rsrsrs. Brincadeiras a parte, é bom reavaliar mesmo os acertos, para tentar acertar de novo e mais.
De reepente é até melhor fazer ambas as coisas simultanemante (circunspeção de erros e de acertos), para não correr o risco de não ser muito intransigente consigo mesmo... Mas aí correrá o risco contrário: de ser complacente.
Não acho que os acertos anulem os erros; assim como não acho que devamos usar os erross dos outros para justificar e amenizar os nossos.
Ah, obrigada pelos parabéns.
Parabéns a você por resistir bravamente como meu único comentarista! ;-(