sábado, 5 de novembro de 2011

Wuthering Heights - O Morro dos Ventos Uivantes

Minha mãe compra livros pela Revistinha da Avon. 
"O Morro dos Ventos Uivantes" veio a tona na mídia por ser "o livro favorito de Bella e Edward", as personagens principais e românticas da vampiresca e juvenil saga Twilight, ganhando assim mais uma reedição.
Esta reedição virou oferta do catálogo da Avon.
E foi essa conjunção do universo que fez com que o famigerado romance viesse parar em minhas mãos. Quando me deparei com a obra, o que me estimulou a ler foi pensar que um clássico sempre precisa (e espera-se que também mereça) ser lido. Somente uns segundos depois,  ao ler na capa, em destaque num escandaloso balão vermelho, a informação de que aquele era o livro favorito do casal adolescente fictício do momento, é que entendi a sequência de fatos que tinham feito com que aquele livro chegasse até mim.
Ao longo do livro entendi porquê tal rromance é o predileto dos pombinhos tétrricos: a trama tem como base um intenso e passional amor entre as personagens Catherine e Heathcliff , repleto de rompantes sentimentais e de frases de exarcebação daquele sentimento e daquela profunda e eterna ligação, tais como "Oh, meu Deus, é impossível! Eu não posso viver sem a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma!".
Claro que interpretação cada uma faz a sua e que nunca saberemos o alcance da mensagem que a britânica Emily Bronte quis passar em 1848. 
Claro também que há uma série de interpretações difrentes passeando pela internet. Há inteerprretações sociológicas, indicando a sugestão de um possível incesto na história, já que talvez Cathy e Heathcliff possam ser meio irmãos, o que era chocante para a sociedade da época (e creio que para a atual também não seja uma idéia confortável), sem falar na crítica ao casamento por conveniência.
Há também a interpretação psicológica, segundo a qual Heathcliff representaria o id, Cathy o ego e Edgar, o coitado do bom moço de boa família com o qual ela se casou, o superego. Por esta análise, o livro mostraria que o ego  não pode viver se não conseguir harmonizar o id e o superego.
Quando li o livro, pensei em várias coisas, mas confesso que em nenhuma dessas. Por nenhum instante sernas entrelinhas que Heathcliff, o órfão adotado pelo pai de Cathy, pudesse  ser filho ilegítimo daquele. Tal desconfiança nem passou por minha cabeça. Assim como nem pensei em "alegorias para consciente e inconsciente".
A primeira coisa que pensei foi que aquele romance nada tinha de romântico, considerando a conotação que damos a esta palavra. Aquele amor todo visceral que une as personagens principais e que a Bella e seu namorado sanguesuga consideram tão belo me pareceu mais paixão do que amor, porque é passional, destrutivo  e vingativo, fonte de desunião, completamente doentio e quase loucura. Um "amor" que, em não sendo vivido, só alimentou ódios. Alimentou o ódio de Heathcliff, que lhe deu desejo de vingança. E a sua vingança alimentou muitos outros ódios. 
Entretanto, todo esse ódio - e aí vem o que particularrmentee sobressaiu da minha leitura - nasceu bem antes da decepção amorosa; o ódio nasce na forma como o pai de Catherine educa seus filhos legítimos (ela e o irmão Hindley) e  o adotivo Heathcliff. Essa forma de criação cria inimizades e rancores esses que posteriormente influenciam a impossibilidade da realização do amor dos "irmãos de criação" (ou meio irmãos?). E dali surgem pessoas amarguradas, que passam sua amargura para as geraçõe seguintess, por meio da criação truculenta, alimentando e fomentando ressentimentos.
Isso me fez pensar bastante em como o modo pelo qual criamos nossos filhos influeencia suas personalidadees e determina a forma como eles reagem frente ao mundo. Ali foi um erro quee desencadeou uma série de outros erros sucessivamente...
Nesse sentido, o final do livro traz um acalanto para a alma: traz a esperança de que a nova geração pode mudar o trriste curso determinado pela anterior, desde que consigam extrapolar o limite dos ressentimentos vividos e absorvidos que traz frieza e rudeza à alma.
Há também aquele ensinamento de que a fome de vingança, mesmo depois de ser alimentada, não traz satisfação. Heathcliff buscou por toda sua vida a vingança a todas as gerações das famílias de Catrherine e de seu marido Edgard, mas a sua realização não lhe trouxe satisfação à alma, e sim apenas consumação, até a morte.
E na morte ele reencontrou Catherine... Romântica idéia de amor eterno? Não sei não, já que o livro termina com a insinuação de que eles se tornaram duas almas vagando juntas pelo Morro dos Ventos Uivantes. Não me pareceu que tenham se encontrado e vivido seu amor em paz na eternidade, e sim que, mesmo juntos, continuavam atormentados (e atormentando outras vidas, rs).
Por isso que para mim, que me desculpem Bella e Edward, aquilo não era amor e tão intenso que para além da vida. Era diferente, uma coisa desmedida, que impediu que eles vivessem e que maculou muitas outras vidas.
Como um sentimento que só gera maus sentimentos pode ser em essência virtuoso?
Mas esta, é claro, é só a minha interpretação.




5 comentários:

  1. Contou o final do livro... Se bem que a Dona Marli já tinha feito isso, não é? Rsrs

    Como não li o livro, não tenho condições de opinar sobre o post. Talvez eu leia algum dia, apesar de suas opiniões parecerem sugerir que esta não é uma leitura das mais empolgantes...

    ResponderExcluir
  2. Luciana! Daqui a pouco vc realmente vai me fazer ler essa coisa desse livro de novo só pra eu poder opinar!! Rsrsrs

    Eu não tinha muita maturidade qndo o li, e o que ficou na minha memória é que a Catherine gostava do Heathcliff pq ele simbolizava a rebeldia que ela sentia pela sua condição de mulher submetida às regars da sociedade: ele era homem e ainda assim não se encaixava como agregado da família. Ela gostava e incentivava o temperamento tempestuoso dele, e assim ele se apaixonou por ela com a ilusão de que ela o aceitava como ele era. O que não se via é que o comportamento dele não era benéfico para ele próprio, e que a cumplicidade dela era egoísta e infantil. Daí ela optou pelo casamento seguro, previsível e aceitável com o outro fulano almofadinha e viveu infeliz com a escolha e atormentada pela indignação do Heathcliff até pifar de vez. Sinceramente, não lembro nada da continuação da história depois que ela morre.
    Acho que, realmente, a história não tem muito de amor mesmo. Sempre tive a impressão de que o Heathcliff não a enxergava como eela era, e que a Catherine nunca tinha verdadeiramente o amado. Talvez seja uma representação do quanto as pessoas se anulam para preencher uma vida socialmente aceita e, assim, projetam nos outros aquilo que realmente gostariam de ser ou fazer.
    Repensar a história agora, com uns 12 ou 13 anos a mais no currículo, até pode ser interessante... Rsrsrsrsrs

    ResponderExcluir
  3. Prima! Quando eu li o livro eu era muito nova pra conseguir refletir profundamente sobre o assunto, apesar de ter gostado bastante. Mas até hoje o que me lembro quando ouço " O morro dos ventos uivantes" é: tanto a Catherine quanto o Heathcliff eram extremamente orgulhosos, e com certeza não era nada saudável a relação entre eles; a mulher virou uma assombração e ele gostava dela ( ou estou ficando louca? Faz mesmo muito tempo que li)... E aquela seqüência de filhas Catherine com certeza apóiam o que você disse, o erro dos pais é sempre repetido segundo a autora... E sim, nada disso é amor! É puro vício! Por isso talvez que uma menina que gosta de vampiro ache que esse seja um romance perfeito... por não ser nada saudável. Mas agora me lembrei de uma frase do Vinícius : todo o grande amor só é bem grande se for triste.

    ResponderExcluir
  4. È, Mi, a impossibilidade da realização do amor está sempre muito relacionada ao romantismo. Haja vista não só as grandes histórias de amor da literatura, como as letras de muitas canções...
    Mas eu discordo de todas elas.
    Você me deu ideia pra fazer um novo post, que farei em sua homenagem, olha só!
    Faz tempo que já andava pensando bastante na frase "tristeza não tem fim, felicidade sim".
    E outra: "Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza"...
    E daí me vem você com mais essa!
    esse pessoal era meio baixo astral, hein! Rs

    ResponderExcluir
  5. Hahahaha, você devia ter visto a palestra que vi na ECA, " A arte da Melancolia"... E eu como estudante de artes posso afirmar: a tristeza serve de total inspiração para a criação artística. E com certeza para quando de escree sobre amor. Artista gosta de drama! Uhhhhhh, mas nunca fui homenageada assim! Um post especial ?! Que emoção!

    ResponderExcluir