Ok, eu disse que recapitularia textos antigos. Pois lá vai um, escrito há alguns meses, quando eu estava estressada de ser "obrigada" por algumas amigas a tentar entender e explicar os homens e o que eles querem... Logo eu, que não entendo nem a mim!
Fato é que traí a "espécie"feminina radicalizando no desabafo abaixo. Posso até ser publicamente achincalhada pela mulherada, mesmo proque a coisa ficou um tanto sem nível, mas que ficou engraçadinho, ficou. (Eu sou desagradável, rs).
Dúvidas nunca tive quanto às minhas preferências sexuais, mas agora o que tenho é cada vez mais certeza delas. Certeza de que fiz a escolha certa, se é que isso se trata de escolha. Eu sou mulher, e daquelas que sempre se avocou feminista e sempre chamou homens muito salientes de cachorros e homens tímidos de bananas. Disso não me envergonho. Faz parte da guerra dos sexos. Cara que não pode ver um rabo de saia é galinha e cara que não toma uma atitude com mulher é bundão. Sempre estamos rotulando, porque sempre queremos o meio termo, sem, no entanto, conseguirmos especificar qual seja. E da mesma forma somos rotuladas. Se transamos de primeira somos vadias; se demoramos a transar estamos fazendo tipo – ou somos frígidas.
Toda feminista que se preza costuma dividir a categoria homens em cachorros ou bundões e não aceita se submeter à divisão que eles fazem da categoria feminina, se diz não estar nem aí pras convenções, que vai dar quando estiver afim, seja esse quando de primeira ou depois de meses, e o cara que pense o que quiser, pois ela não está preocupada... Aham....
Toda feminista que se preze também abomina mulheres que ficam correndo atrás dos caras, se humilhando e lustrando o ego do indivíduo com bajulações mil, se sujeitando a qualquer coisa por migalhas de atenção, mandando sms com convitinhos, declarações de amor no Orkut, “bom dia, boa tarde e boa noite”no MSN e tantas outras pagações de pau para um cara que obviamente não está mais (ou nunca esteve) afim, já que nunca responde. Por causa de espírito tão crítico, a feminista tem pavor de se tornar uma dessas deploráveis criaturinhas e, na sanha de não ser também uma versão de Amélia da atualidade, acaba comprovando a tese dos homens de que toda mulher tem algo em comum, que é encanar e cobrar sempre.
A feminista tem medo de ser feita de boba por algum homem safado, por isso sempre acha que está sendo feita. Quer passar a imagem de bem resolvida e desencanada, mas encana quando o cara não liga, não quer ficar de novo ou só quer ficar sem namorar tanto quanto a “neoamélia”. A reação é que é diferente. A neoamélia corre atrás do cara para insistir e bajular. A feminista “desencanada” corre atrás pra brigar e se vingar. Uma não liga de ser publicamente feita de boba; a outra quer provar ao mundo que ninguém a faz de boba. No fim das contas, as duas são bobas. E chatas.
Eu sempre fui do tipo que criticava todos os homens e as mulheres do tipo neoamélia, que ficam correndo atrás de um cara mesmo depois de ele ter ficado com outra na sua frente e dando para a sua própria auto estima a desculpa de que a atitude do cara foi uma prova de amor, já que foi pra fazer ciúmes, rs. Mas, com medo de cair nessa armadilha, eu já caí justamente na outra. Se não pecamos pela falta de orgulho, pecamos pelo excesso. Disso tenho vergonha.
Hoje julgo que aprendi. Talvez na verdade não tenha aprendido nada e apenas esteja assim tão “lúcida” por estar em um momento da vida em que não estou sendo posta a prova. Mas nesse momento em que, por isso (e talvez só por isso) eu estou conseguindo ver as coisas de forma mais racional, percebo que, se para mim, como amiga, tem sido tão cansativo ouvir de forma recorrente de amigas todas essas neuroses de “se ele ligou”, “se ele não ligou” e suas derivadas teorias da conspiração, imagino que os homens devam ficar ainda mais cansados de terem de conviver o tempo todo com isso.
As mulheres estão sempre buscando o porquê de tudo. Se é sim, por que sim? Se é não, por que não? Se o cara ligou, será que é por que ele quer algo sério ou só porque você é uma transa garantida? Aí é um tal de: será que eu vou? E se o cara não ligou? Aí lá vem o: será que ligo pra ele?
Eu não agüento mais ter de ouvir esse tipo de pergunta e, pior, ter de dar uma resposta que na verdade eu não tenho. As respostas só vêm com o tempo, conforme se desenrola a coisa, conforme vamos vivendo. Gostemos ou não da resposta, no fim ela sempre virá. Então de que adianta encanar? E encher as amigas de perguntas? E encher o saco do cara?
Eu não sei as respostas. E estou começando a ficar cansada das perguntas.
As companheiras de categoria que me desculmpem, mas, se eu fosse homem, eu seria gay.
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