domingo, 20 de maio de 2012

De Repente Trinta



Para quem não sabe, 'De Repente Trinta" é o nome em português de um filme do gênero "comédia romântica bonitinha bobinha" cujo título original é "13 going 30".
No meu caso, o título deveria ser"13 going 31", para estar mais de acordo com a realidade da minha idade e fazer a devida alusão à dislexia digitacional, mal do qual já devem ter notado, caros leitores, que sofro.
De repente 31... E, a bem da verdade, não foi tão de repente assim. No dia 15 de maio eu estava com 30 anos (não com 13), já era portanto uma balzaquiana de fato, e no dia seguinte acordei com 31... Envelheci um ano em um dia!!!! Como isso é possível??? Talvez devêssemos contar os meses, para o impacto ser menor... Doses homeopáticas de envelhecimento.
Bom, eu deveria estar em crise, pois afinal rompi enfim a barreira dos trinta. 
Ano passado fiz a fatídica idade, que é um marco na vida de toda e qualquer mulher. Saí dos "vinte e poucos", que para mim continuavam sendo "vinte e poucos" mesmo quando já estava na casa dos "vinte e muitos"; saí, portanto, da juventude.
Mas este ano a coisa é mais grave. Entrei na série dos "trinta e"... "Trinta e agora falta pouco para entrar na casa dos "enta"", de onde só se sai morto - ou muuuuito velho!
Pois bem, eu deveria estar em crise, e até faço um charminho para parecer que estou... No meu trabalho, por exemplo, quando uma colega veio me cumprimentar com os parabéns, eu retruquei dizendo que o cumprimento adequado seriam os pêsames. Ela sabiamente argumentou que eu deveria ficar feliz por fazer mais um ano de vida, considerando que a alternativa seria estar morta. Sábias palavras, às quais eu rebati constatando que um ano a mais de vida era, na verdade, um ano a menos para viver.
Mas, redigo, isso tudo é só para fazer tipo. Esses 31 anos, foram, ao meu ver, por enquanto muito bem vividos. E também serão os que ainda me restam viver. Aliás, tenho eu cá a imprressão de que, quanto mais velha fico, mais sei aproveitar a vida.
Onoré de Balzac estava certo ao exaltar a beleza madura e ainda jovial da mulher de 30. Tenho sentido isso em mim e prrincipalmente visto isso em minhas amigas, as quais vejo mais bonitas agora do que quando tinham seus 20 aninhos...
Onoré de Balzac tinha razão. E Sérgio Reis também! 
Sim, porque foi justamente nessa semana que, coincidentemente, ao ouvir "Panela Velha", resolvi prestar atenção na letra da música e descobri que, ao contrário do que eu imaginava, Sérgio Reis não cantava sobre uma cinquentona, e sim sobre "a mulher com mais de trinta"!
Mas nem isso me deprimiu. Continuo achando que a casa dos 30 é a melhor idade. É um meio termo entre a maturidade serena dos 40 e a empolgação jovial dos 20.
Entretanto, é claro que continuarei fazendo charme ao declamar (e reclamar) minha idade, sempre esperando ansiosamente que alguém diga que na verdade pareço ter 20.
Feliz aniversário, envelheço na cidade.


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