segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feliz Idade

Três meses de abandono deste blog... A última postagem foi uma reclamação ranzinza a respeito dos trinta, mais para seguir um clichê e atender às espectativas da sociedade (coisa que não costumo muito fazer) do que porque os trinta (e um) me pesem de verdade.
Na verdade, acho que estou na melhor idade. Aos poucos (ou ao longo de todos esses tantos anos) me vejo conquistando tudo que sempre quis, mais ou menos do jeito que imaginava e hoje me sinto uma mulher feliz.
Para ser sincera, acho que sempre fui feliz, só que antigamente com a felicidade entrecortada por momentos de angústia ou inconformação normais no processo de desilusão com algumas descobertas das verdades da vida e das pessoas ao longo do caminho.
Hoje a felicidade está mais serena, menos abalável por ataques passionais de revolta. Exceto, claro, quando bato o cotovelo ou o dedinho do pé em alguma quina amaldiçoada, quando assisto ao programa eleitoral gratuito ou quando leio postagens estúpidas no Face de bons samaritanos ou falsos profetas que ficam pregando a palavra divina em vez de terem atos cristãos.
Aliás, foi a postagem de uma conhecida no Face que me animou a escrever esta postagem aqui...
Sabe quando está tudo tão certo que você fica com medo de ter alguma coisa errada?
Faz tempo que eu tenho me sentido um pouco receosa de ser tão feliz. Desde quando tudo começou a, em geral, dar muito certo. E não sei precisar quando foi isso. Como, no meu ponto de vista - seja olhando para o presente ou para o passado - as coisas para mim costumam dar mais certo do que errado, não sei precisar em que ponto começou o que os religiosos chamariam de a benção divina na minha vida.
O meu medo, o qual descobri que a conhecida que postou no Face compartilha comigo, devido a sua postagem, é de não saber qual a moeda de troca e quando é que começarei a pagar.
Não sou uma pessoa tão boa, não faço caridade, não rezo, nem sequer tenho religião. Por que Deus é tão legal comigo, se eu nem acredito direito nele?
A minha conhecida da postagem é espírita. E eu sou uma simpatizante do espiritismo. Isso explica nossa indagação.
Sei que o espiritismo justificaria toda essa felicidade nos dando inclusive certo mérito por ela, já que as escolhas na vida e o modo de encará-la são nossas... Então, na verdade, talvez o fato de a minha vida ser mais alegre do que triste seja só uma perspectiva minha. Talvez outra pessoa no meu lugar e nas mesmas circunstãncias  iniciais tivesse interpretado de outra maneira e seguido por outro caminho menos rosado e mais árido.
Aliás, uma outra pessoa mais pesssimista no meu lugar realmente teria motivos para justificar seu sombrio e desanimado ponto de vista, pois eu mesma disse que no meu caminho havia rosas - e era justamente para poder usar a alegoria óbvia da exxistência dos espinhos. Nada é perfeito sempre, a começar pela minha acuidade visual e pela minha capacidade de produção de melanina, rs.
Mas, com uma gama tão vasta de possibilidades de sofrimento existentes nesta terra, fui acometida por alguns bens sutis. (Sei que aquela pessoa pessimista do parágrafo acima poderia não os achar tão sutis assim, mas eu digo que ela estaria errada - e que seria equivocadamente e inutilmente infeliz).


O ponto é que o espiritismo também prega a caridade ao próximo e eu só a exerço com aqueles bem próximos mesmo! E isso se admitirmos o apoio emocional aos amigos como ato de caridade.
Por isso ainda me pergunto porque mereço essa felicidade e o que Deus, o Destino, o Acaso, os Astros, o Universo, o Infortúnio ou seja lá o que for que rege toda esta bagunça aqui espera de mim em troca.
Por isso estou sempre em alerta - se fosse um cão, estaria de orelhas em pé -, esperando pelo momento em que a fatura chegará. E tenho medo de não conseguir pagar...
A sorte de ser espirita-simpatizante é poder pensar que talvez eu só vá receber a tal fatura em outra vida, rs.

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