Minhas amigas mais próximas sabem, meu marido certamente desconfia e quem leu algumas postagens aqui deve logo ter suposto que eu passei um bom tempo desde o nascimento da Ana Lú odiando ser mãe a maior parte do tempo, me sentindo desalojada da minha vida anterior e mal alocada na minha vida nova, deslocada na função de mãe. As amigas muito muito próximas sabem, inclusive, que cheguei a me arrepender de ser mãe.
Hoje não me arrependo de ter dito isso a elas, pois era o que eu realmente sentia e, se eu não verbalizasse, não confessasse isso para alguém, seria como se o sentimento não tivesse sido admitido, então não poderia ser resolvido.
Também não me arrependo de ter sentido, pois sentimentos fogem ao nosso controle e á nossa capacidade de ser racional; são guiados por hormônios ou pelo subconsciente. Até hoje não sei bem qual deles guiou o meu, mas acho que o medo (do desconhecido e de falhar) teve grande peso sobre mim.
Puerpério? Egoísmo? Covardia? Não sei e também já não me importa. Aquela pequena pessoa roliça, de cachinhos dourados e olhos cor de piscina foi aos poucos voltando pra dentro de mim (se enfiando no meu coração - diriam os românticos -, se alojando na minha mente - diria eu). E hoje a ocupação está completa. Ana Lu está toda em mim e por isso eu sou toda dela.
Sabe quando você pensa numa pessoa o dia inteiro e dificilmente consegue se concentrar tanto em outra coisa a ponto de a esquecer de verdade?
Sabe quando você acabou de se despedir da pessoa e já sente saudade?
Sabe quando seu assunto predileto é a pessoa e basta alguém dar uma brecha para você desandar a falar dela loucamente?
Sabe quando tudo que você vê te faz lembrar da pessoa?
Sabe quando tudo que você pensa em fazer é para agradar e ver a pessoa feliz?
Sabe quando isso chega no nível de possivelmente as outras pessoas te acharem muito chata?
É isso.
Estou apaixonada!
Ser mãe é isso. É estar apaixonada (com tudo de bom e de ruim que este sentimento desperta) pelo resto da vida.
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