Sempre ouvimos a expressão "dormi como um bebê" pra descrever um sono longo, tranquilo e profundo. E daí crescemos imaginando que os bebês são seres que dormem quase o tempo todo, despertando apenas para mamar.
Então parimos e descobrimos que o nosso bebê não dorme como um bebê. Ele reluta para pegar no sono, tem um sono barulhento e agitado, desperta com sons que nem os cães são capazes de ouvir e demora muito a voltar a dormir, se é que volta.
Depois descobrimos que o nosso bebê não dorme como os outros bebês. E que os outros bebês, eles sim, dormem como bebês de verdade. Todos os bebês de todas as mães que conhecemos dormem a noite inteira desde a primeira semana de vida.
Então está resolvido o mistério: a culpa é nossa. Estamos pondo pra dormir muito cedo. Ou muito tarde. Estamos deixando o bebê fazer sonecas muito longas durante o dia. Ou não estamos permitindo que o bebê descanse o suficiente de dia e isso atrapalha o sono noturno.
Com certeza o leite materno é o problema chave. Ele pode até estar engordando e crescendo, mas, mesmo assim, sem dúvida, o problema do sono é fome.
Bebê tem que ser posto ainda desperto no berço e aprender a adormecer sozinho, nem que leve horas, chorando. Ou, na verdade, bebê tem que dormir com os pais para se sentir seguro e protegido; cama compartilhada é a resposta.
Depois dos 3 meses as cólicas, que ele tem sempre e por culpa do que você comeu (porque toda vez que o bebê chora é cólica), passam o sono melhora. Não, depois dos 6, quando ele iniciar a introdução alimentar. Na verdade, quando começar a andar e gastar energia. Ou talvez depois dos 12 meses. Certamente depois dos 18. Sem sombra de dúvidas quando passar a ir pra escolinha.
O sono ainda não melhorou porque aos 4 meses existe um pico de desenvolvimento. Aos, 6, um salto de crescimento. Depois vem outro pico, e então outro salto, e outro pico, e novo salto. Saltos se intercalam com picos; picos são sucedidos por saltos. Mas eles só acontecem com o seu bebê, pois, lembre-se, o dos outros dorme que é uma maravilha.
São meses e meses você sendo culpada, você se culpando; você sendo comparada, você se comparando; você tentando todas as técnicas e táticas e percebendo que as vezes elas funcionam, as vezes não. Você estudando todas as teorias e justificativas e descobrindo que as vezes elas se aplicam, as vezes não.
Após meses de tortura emocional, vem você se resignando, percebendo que estratégias que não funcionam sempre, na verdade não funcionam; que explicações que não são certas sempre, na verdade não explicam. E você vem percebendo que com o tempo a situação vai mudando, vai melhorando. Com o tempo. Aos poucos (bem aos poucos). Com algumas pioras eventuais de vez em quando.
E então você entende: não há explicação para o problema do seu bebê e a única solução é o tempo. Quando o seu bebê deixar de ser um bebê, provavelmente enfim ele dormirá como um bebê. Como o bebê dos outros, de todos os outros, dorme desde que nasceu.
Você nunca saberá o porquê.
Daqui uns anos você nem mais se lembrará disso e talvez até dirá a outras mães que o seu bebê nunca deu muito trabalho para dormir.
E o ciclo de angústia e culpa de outra mãe se inicia.
Você nunca saberá o porquê.
Daqui uns anos você nem mais se lembrará disso e talvez até dirá a outras mães que o seu bebê nunca deu muito trabalho para dormir.
E o ciclo de angústia e culpa de outra mãe se inicia.
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