segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu Gestante

Em março de 2013 casei, para surpresa de algumas pessoas, especialmente as do meu passado mais longinquo, que sempre acharam que eu fosse contra casamento.
E em meados de novembro de 2014, se não me engano, tornei pública minha gravidez, para surpresa creio eu destas mesmas pessoas - e talvez d algumas outras -, que achavam que "a Luciana não gosta de criança, não leva jeito para mãe".
Só porque nunca fui aquela garota que desde novinha ficava falando que se casaria e teria tantos filhos, que ficava fantasiando com o dia do casamento, com marido, se derretendo quando via uma criancinha, e que era bem focada nos planos para si de formação e emprego, logo achavam que me conheciam e poderiam me rotular e definir: não sonha em ser esposa e mãe.
E não sonhava mesmo. Não porque não quisesse, mas porque não poderia colocar como objetivo de vida algo que não dependia só de mim. Ainda mais algo que eu considerava que só deveria ser feito se fosse com certeza e com verdade, não para seguir o protocolo social.
Achavam que eu era contra casamento, quando na verdade sempre fui contra o modo fantasioso como o casamento é visto e o modo irresponsável como ele é praticado. E creio que a mesma observação vale para a questão da maternidade.
Engraçado terem me achado a moderninha independente individulista e talvez até fria, quando na verdade eu sou uma pessoa muito conservadora. Só me csaria tendo a convicção de que as chances de me arrepender e me divorciar seriam mínimas. E só teria um filho se estivesse casada e com um relacionamento sincero, estável e feliz, além de ter condições financeiras para cuidar dela, porque jamais colocaria uma criança no meio de uma situação conflituosa ou de insegurança, fosse financeira ou emocional.
Achavam que casamento e filho não eram importantes para mim. Pelo contrário. Sempre considerei coisas tão importantes que, se não fosse para fazer do jeito que eu considerava certo e responsável, preferiria não fazer. Preferiria ficar sozinha e tentar ser feliz assim do que sair por aí tomando decisões tão importantes com leviandade, ansiedade ou por pressão social, ocasionando a minha infelicidade e a alheia, especialmente a de uma nova vida que eu gerasse e pela qual fosse totalmente responsável.
Neurose, excesso de senso de responsabilidade ou trauma por causa do divórcio dos meus pais, cada um interprete como quiser. Mas eu acho que primeiro temos que cuidar de nós mesmos e de nossas vidas, encontrarmos nosso caminho e nossa felicidade sozinhos para depois inserirmos outras vidas nas nossas; e não as inserir e imputar a elas o peso da responsabilidade por gerar nossa satisfação e felicidade, especialmente em se tratando de uma criança.
E não vejo porque ter esta avaliação racional implica em eu ser uma pessoa fria e egoísta. Na verdade, para mim é precisamente o contrário.
Interessante é que, embora eu nunca tivesse ficado sonhando com um bebê, nem me imaginado grávida, desde a adolescência, não lembro exatamente quando, me veio na cabeça o nome Ana Luíza. Eu teria uma filha, ela se chamaria Ana Luíza e seria taurina como eu. Era como um fato. Só não fazia sentido. 
Em fevereiro de 2014 meu esposo e eu decidimos que eu pararia de tomar a pílula, porque, segundo os ginecologistas, em média o organismo feminino leva 1 ano para voltar ao normal após passar anos acostumado com o anticoncepcional.
Somando esse dado ao fato de que eu sempre tive ovários policísticos (diagnosticados inclusive naquele momento) e um ciclo extremamente irregular, achamos que demoraria bastante para eu conseguir engravidar, então decidimos parar a prevenção e ir deixando rolar.
Em tese eu também deveria estar preocupada e desesperada para engravidar por causa da minha idade, entretanto nunca me liguei nisso. Talvez por causa do exemplo da minha mãe, que me pariu com 35 anos. 
No final de agosto de 2014, descubro eu que estou grávida! E a previsão de nascimento da criança? Fim de abril ou começo de maio. Ou seja: taurina! 
E em janeiro de 2015, depois de muitas ultrassonografias de bebê com as perninhas fechadas, é confirmada a certeza que eu já tinha desde o começo: menina!
Ali estava a minha Ana Luíza taurina, como eu desde sempre intuía que seria, mas de um jeito que eu acho que jamais conseguiria fazer se tivesse planejado. 
E então um novo mundo se abriu para mim. E eu, a mulher considerada insensível e sem vocação para mãe (pela visão de outras mulheres que se acham as atuais - ou futuras - mães perfeitas porque gostam de fazer cute cute e pegar nenês no colo) adentro todo um novo mundo de muitas e muitas pesquisas para descobrir que a nossa responsabilidade pelo bem estar do bebê já começa na escolha da forma de parto. Mas isso é assunto para outra postagem.
Essa é para dizer que eu sempre achei que teria uma Ana Luíza taurina, porém nunca consegui de fato visualizar essa situação. E nem a persegui para fazer acontecer. Sem pressa; sem pressão. Ela simplesmente aconteceu, naturalmente, como eu acho que tudo tem que ser. E, se não for assim, acredito que é melhor que não seja.
E como acredito que tudo tem seu tempo certo, agora é só esperar o tempo dela. Sem pressa, sem pressão.
Ana Luíza taurina vem aí. E no fundo eu sempre soube.

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